São Paulo - O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que a aliança com o PSDB está em crise por causa da escolha do vice do candidato à Presidência, José Serra. “O casamento está em crise, mas todas as crises precisam de maturidade para que elas possam ser superadas”, disse.
Na véspera da Convenção Nacional do seu principal aliado, o PSDB tentava buscar uma saída ontem para salvar a aliança com o DEM. Os tucanos resistiam à ideia de rever a indicação do senador Álvaro Dias (PR) para vice do candidato à Presidência José Serra. O DEM insistia que o cargo ficasse com um nome do partido, mas estava disposto a ceder.
Depois de 48 horas de discussões, a aliança entre os dois partidos está praticamente selada e será anunciada durante a convenção, que acontece hoje em Brasília, a partir das 8h. O impasse, porém, está nos termos desse acordo.
Os tucanos insistiam no modelo de uma chapa puro-sangue tendo Dias como vice. Avaliam que o senador agrega mais de 1 milhão de votos, além de fortalecer o palanque de Serra num Estado estratégico como o Paraná. Mas, desde que o nome de Dias foi apresentado, na semana passada, setores do DEM resistem a compor a aliança. Eles alegam que não foram consultados e dizem que a indicação deve ser do DEM.
“Certeza, não se pode dizer que sim. Mas sou otimista”, admitiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao deixar o encontro entre as cúpulas do PSDB e do DEM, quando questionado sobre a manutenção da aliança. Chamado para ajudar nas negociações, FHC deixou o encontro sem conseguir o recuo do partido aliado. Para os tucanos, a dobradinha PSDB-DEM já mostrou-se desgastada do ponto de vista eleitoral. Acham que um quadro tucano daria um caráter mais progressista para a chapa.
Mas as duas legendas apostavam num acordo. Os tucanos porque precisam do tempo de TV do DEM e do apoio político em Estados importantes onde o aliado tem forte base, como Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina. Para o DEM, o fim da aliança representaria o enfraquecimento nacional da legenda.