O técnico Dunga pôde observar atentamente ontem o desempenho de Felipe Melo e Júlio Baptista no gramado do colégio Stitthians. Liberados pelo médico José Luiz Runco para um teste no campo, ambos participaram normalmente da movimentação com os demais atletas e dependem agora do aval do departamento clínico, que analisará se não há mais problemas.
A opinião dos próprios atletas também será importante, já que o volante e o meia explicarão aos médicos se ainda sentem algum desconforto. Na atividade de ontem, a dupla participou da roda de bobinho no aquecimento e, em seguida, realizou um treino de finalizações, ao lado dos atletas que não atuaram desde o início contra o Chile. Se forem confirmados, o volante retoma sua titularidade ao lado de Gilberto Silva e o meia fica como opção do treinador para a reserva. Já Daniel Alves deve continuar como titular na vaga de Elano.
Felipe Melo e Júlio Baptista finalizaram predominantemente com a perna direita, mas não mostraram problemas para dominar e concluir ao gol. O volante se recupera de uma pancada no tornozelo esquerdo, sofrida na partida diante de Portugal. Titular da seleção de Dunga, Felipe Melo ainda não está confirmado para o duelo contra a Holanda, na sexta-feira, pelas quartas de final da Copa do Mundo.
Já o meia Júlio Baptista sofreu um problema no joelho esquerdo também diante dos portugueses. Se for liberado pelos médicos, ficará como opção no banco de reservas para o duelo com a Laranja, pois o posto de titular pertence a Kaká. O Brasil viajou na noite de ontem para Porto Elizabeth, onde enfrenta a Holanda, na sexta.
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Para Juan, Holanda não
se resume só a Robben
O zagueiro Juan, autor do primeiro gol brasileiro contra o Chile (3 a 0) na última segunda-feira, espera por “um jogo difícil” contra a Holanda. Seguro quanto a enfrentar o meia-atacante Arjen Robben, ele acredita que o Brasil não deve estar focado apenas em parar o craque holandês.
“É um grande jogador, atravessa um grande momento, desde os gols que fez pela Copa dos Campeões pelo Bayern [de Munique]. Mas a Holanda não é só ele, tem outros perigosos na frente também”, disse o defensor. Ao lado de Lúcio, Juan compõe uma das zagas mais respeitadas do mundo. Nesta edição do Mundial, já superou alguns grandes astros. Para ele, o embate contra a Holanda deve ser encarado do mesmo modo que os anteriores.
“Quando enfrentamos o Drogba, o Cristiano [Ronaldo], não pensamos sobre eles, dividimos a atenção”, compara o zagueiro. No duelo contra Costa do Marfim, Drogba até conseguiu furar a defesa brasileira, mas quando os pentacampeões já ostentavam vantagem tranquila no placar. Cristiano Ronaldo, por sua vez, foi anulado por Lúcio durante todo o duelo entre as seleções.
Robben, agora, tenta mostrar contra o Brasil que tem condições de ser um dos destaques da Copa do Mundo. Recuperado de uma lesão que o manteve fora dos dois primeiros jogos da Laranja, o atacante encara seu maior desafio diante do time de Dunga, na sexta-feira, pelas quartas de final.
Juan explica que o ideal seria impedir que a bola chegasse ao atleta, mas reconhece que a tarefa de anular todo o meio-campo holandês não é viável. “Em quase todas as partidas, neutralizar a chegada da bola ao ataque é um passo importante para a vitória, mas nem sempre isso é possível. Portanto, vamos ficar bem atentos para que eles não nos surpreendam lá atrás”, completou.
Quanto a confirmação da gravidade da lesão do meia Elano, Juan assegurou que o grupo está unido em torno do problema do companheiro. “A gente tem que dar força pro Elano, que está passando por uma situação difícil. O Elano sabe da importância que ele tem pra seleção, então a gente vai torcer pra que ele se recupere, para poder estar na semana que vem à disposição”, afirmou.
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Equilíbrio nos números
Depois de encarar retrancas, jogo pegado e adversário aberto, o Brasil enfrenta pela primeira vez nesta Copa do Mundo um adversário que promete adotar um estilo semelhante ao implantado por Dunga. Pelo menos é isso o que mostram as estatísticas dos pentacampeões e dos holandeses neste torneio na África do Sul.
Em quatro jogos disputados pelas duas seleções, há um equilíbrio nos principais critérios. O Brasil, por exemplo, balançou as redes oito vezes, apenas uma a mais que a Holanda. Já as defesas só sofreram dois gols cada uma. E, se Dunga manifestou preocupação com as faltas cometidas pelos adversários sobre os brasileiros, desta vez não deve ter problemas.
A Holanda fez 63 infrações no Mundial, apenas cinco a mais que o Brasil. A maneira de desenvolver o jogo também é bem parecida, com ênfase no toque de bola e na velocidade. Enquanto a seleção canarinho trocou 2.423 passes neste Mundial, a Laranja teve 2.334. O Brasil até arriscou mais chutes (74 contra 58), mas a pontaria iguala as equipes, pois foram 27 conclusões da equipe verde e amarela contra a meta adversária, um pouco abaixo dos 29 arremates dos holandeses.