08 de julho de 2026
Nacional

Vitorioso, DEM emplaca vice de Serra


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Brasília - O DEM ganhou ontem uma vitória importante ao emplacar o vice do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. O partido, que havia sido preterido da chapa nacional até a véspera, tornou-se peça-chave na coligação após uma crise quase ter derrubado as pontes com o PSDB, que decidira pela chapa puro sangue na figura do senador Álvaro Dias (PR).

Foi Serra quem definiu o critério da nova dobradinha: queria um jovem a seu lado. Pinçou da cartola o nome de Índio da Costa, deputado federal em seu primeiro mandato e relator do projeto Ficha Limpa na Câmara.

O processo não foi rápido, exigiu reunião na madrugada de ontem com quatro horas de duração e outra ontem, que consumiu mais três. O ex-governador Aécio Neves participou de parte da reunião da madrugada. Mais de seis nomes foram analisados para compor a chapa.

“A escolha foi uma decisão do Serra”, disse o deputado Felipe Maia (DEM-RN). “O acordo (de indicar a vice) está sendo cumprido. Tenho certeza de que a crise foi superada.”

A opção Álvaro Dias desmoronou já na véspera assim que a notícia de que seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR), havia decidido subir no palanque da adversária, a candidata do PT, Dilma Rousseff. A indicação gerou uma séria crise política no casamento Demo-tucano. O primeiro reclamava o posto e acusou o parceiro de não ter sido consultado.

Com a escolha do democrata, José Serra acertou três alvos: fortaleceu seu palanque no terceiro maior colégio eleitoral do País; jogou água no litígio com o DEM e deu um passo importante em busca do eleitorado jovem.

Apesar do acerto de ontem, a candidatura de Serra sofreu um grande desgaste neste processo, sobretudo num momento em que as pesquisas já apontavam a liderança de Dilma.

“O mérito da escolha é de José Serra. O martelo foi batido hoje (ontem) de manhã”, contou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), por muito tempo um dos nomes mais fortes para compor a aliança presidencial.

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), foi quem conduziu as negociações e telefonou convidando o correligionário e conterrâneo. Se o vice tivesse sido um tucano, Maia amargaria uma derrota que questionaria seu papel de líder partidário.

Optou por chancelar Índio da Costa, um político forjado pelas mãos do seu pai, o ex-prefeito César Maia, mas com quem rompeu em 2008.

Naquele ano, Índio queria ser candidato a prefeito do Rio. Considerou-se preterido pelos Maia, que acabaram nomeando a democrata Solange Amaral para concorrer à vaga.

Em política, porém, costuma predominar o pragmatismo, contou sorrindo uma integrante democrata para explicar o aval de seu presidente. Antes de saber que posaria na foto ao lado de Serra, mas com a possibilidade já real naquele momento, Índio da Costa confidenciou à reportagem: “É como você sair de casa para ir ao cinema e descobrir que está no teatro”.

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Vice falou apenas uma vez com Serra

Brasília - O deputado democrata de primeiro mandato Índio da Costa (RJ) acordou ontem candidato a deputado federal e vai dormir postulante a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB) sem nunca ter conversado por mais de 15 minutos com o candidato. Aos 39 anos, disse que sua missão nesta campanha será conseguir o apoio do eleitorado jovem do País.

A única vez que trocou palavras com Serra foi na estreia do Brasil na Copa contra a Coreia do Norte, neste mês, quando os dois falaram das necessidades do Estado do Rio.

Quando o deputado Fernando Gabeira (PV) estava em dúvida se concorria ao governo do Estado do Rio, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) cogitou a indicação de Índio da Costa. O deputado então enviou a Serra um texto de duas páginas com propostas para o Rio e uma apresentação pessoal.

Após a definição de Gabeira pela candidatura ao comando do Estado, Índio da Costa recebeu de um emissário um comentário de Serra de que tinha achado o aliado um jovem de ideias modernas.

Relator do projeto Ficha Limpa na Câmara, atraiu a atenção do presidenciável tucano pelo poder de mobilização à iniciativa. Saltou de 1.200 seguidores no microblog Twitter para mais de 33 mil em poucos dias. “Vou procurar atingir o eleitorado jovem, agregar na comunicação virtual, o que o Serra já vem fazendo muito bem”, respondeu ele à reportagem quando questionado sobre sua missão nesta campanha.

Antônio Pedro de Siqueira Índio da Costa foi escolhido vice depois de uma série de tropeços da campanha tucana, que escolhera antes dele o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para assumir o posto. A primeira decisão abriu uma crise com o DEM justamente num momento em que Serra passava para o segundo lugar nas pesquisas contra a candidata do PT, Dilma Rousseff.

Ele figurou numa lista de mais de seis nomes. Até uma hora antes do anúncio oficial, não fazia a mais vaga ideia de que seria nomeado como candidato a vice.

Para Índio da Costa, a crise entre PSDB e DEM por conta da escolha do vice está resolvida. “Certamente que pacifica, nosso objetivo é um só: ganhar a eleição.”

No Democratas, antigo PFL, o candidato a vice terá outro papel político: renovar a imagem do próprio partido, menor a cada eleição e alvejado por denúncias de corrupção na regional de Brasília. O DEM, apesar de refundado, permanece uma legenda identificada com a política tradicional, cuja porção predominante ainda é comandada por velhos caciques.

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Aécio Neves participou da

escolha de Índio da Costa

São Paulo - Mais cotado para ocupar a vaga de vice, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) afirmou que participou da reunião que escolheu o deputado Índio da Costa (DEM-SP) para a chapa de José Serra (PSDB) na disputa presidencial.

Segundo Aécio, que será candidato ao Senado por Minas Gerais, a escolha foi feita em uma reunião no escritório de Serra, em São Paulo, durante a madrugada. O encontro teve a participação do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). “Chegou-se de uma decisão muito acertada. Trata-se de um nome para a renovação da política brasileira com extrema qualidade”, afirmou Aécio, em Belo Horizonte na tarde de ontem.

Aécio também defendeu a aliança do PSDB com o DEM. “O Democratas está no núcleo ao nosso projeto.” Ele minimizou a demora na escolha do vice de Serra e a reação do DEM à indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Ontem o PSDB de Minas também anunciou a chapa na disputa estadual. Com 13 partidos - PPS, PTB, PP, DEM, PDT, PSB, PSC, PSL, PSDC, PMN, PRB e PR -, a coligação terá o apoio informal de mais cinco partidos -PT do B, PRP, PRTB, PTC e PTN. O candidato ao governo será o atual ocupante do cargo, Antonio Anastasia (PSDB).

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Vice do DEM enfraquece

Serra, diz Roberto Jefferson

São Paulo - O presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, afirmou à reportagem que a escolha de um vice do DEM para o presidenciável José Serra (PSDB) enfraquece e deixa “vulnerável” a candidatura do tucano. Para Jefferson, a presença de um democrata na chapa liga o nome de Serra às lembranças do eleitor sobre o “mensalão do DEM”, protagonizado pelo ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

“O DEM foi inoportuno na pressão que fez sobre Serra. Eles usaram Serra como escudo para lavar a honra. Ao invés de carregarem sua própria cruz, a colocaram nas costas de Serra”, disse o presidente do PTB. Apesar da crítica, Jefferson disse não ter objeções ao nome do vice, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ). “É um rapaz de boa imagem.”

Jefferson deu o estopim para uma crise na aliança PSDB-DEM na última semana. Na sexta-feira, o petebista publicou, em sua página no microblog Twitter, que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) seria o vice de Serra, antes mesmo de os tucanos avisarem os dirigentes do DEM sobre a decisão. Na ocasião, Jefferson ameaçou brigar pela indicação de um nome do PTB para a vice caso o DEM reivindicasse o posto. Ontem, porém, recuou.