08 de julho de 2026
Turismo

Punta del Leste

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

O avião da Gol partiu lotado na hora do almoço. Em pouco mais de duas horas, desembarque com direito a uma agradável hospitalidade da aduana uruguaia. Alguns passageiros com passaporte, outros somente com a Carteira de Identidade. Apesar do céu azul, sente-se o frio na pele. Em Punta Del Este venta muito, mas é um vento que, no verão, ameniza o calorão.

No inverno ou nos meses quentes sempre é bom estar em Punta. O nome vem justamente do fato da cidade estar localizada na "ponta" do Uruguai, país que tem muito das características geográficas do Rio Grande do Sul, mais precisamente dos "pampas" gaúchos.

Nota-se isso desde o trajeto aeroporto-hotel: pradarias verdejante, araucárias, tudo praticamente plano, com uma ou outra colina suave, como o Morro Pão de Açúcar, de 450 metros de altitude, um baixinho se comparado aos picos de 4.800 metros da Cordilheira dos Andes.

Nesse "campo" vão surgindo mansões, casas de veraneio, predinhos de apartamentos envidraçados. Conforme se avança rumo à praia Mansa (de rio), onde fica o melhor hotel do lugar, o badalado Hotel Conrad Resort & Cassino, Punta muda a cara: de gaúcha se torna cada vez mais parecida com a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ou com South Miami Beach.

As casas de veraneio vão dando lugar aos grandes edifícios, chiques, imponentes, com enormes varandas envidraçadas. O verde do vidro toma conta em apartamentos imensos, muitos com mais de 500 metros quadrados.

Para você se situar, é bom saber que Punta se assemelha em muito a Miami, nos Estados Unidos: o mar de um lado e o canal do outro. No caso do balneário uruguaio, o oceano de um lado e o imenso rio da Prata (que mais parece um mar), do outro.

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Pôr do sol na Casapueblo

Como a água do mar geralmente é fria por lá, os veranistas se contentam em praticar esportes náuticos, se bronzear e ter suas mansões viradas para o "estuário". A famosa Casapueblo, por exemplo, construção orientada pelo pintor e escultor Carlos Páes Vilaró (que mora ali numa área privada), é um exemplo.

A casa branca toda recortada, símbolo da cidade, que mais parece uma escultura do amigo e contemporâneo de Pablo Picasso (na casa há uma ala com fotos, depoimentos, quadros e cerâmicas do pintor espanhol oferecidas à Vilaró), é um dos símbolos de Punta. Presente sempre em todas as publicações, em todos os sites, em todas as fotos de publicidade do lugar.

A casa, cheia de escadarias, portas e labirintos, não é assim tão grande, mas é imperdível para turistas de todas as idades. No final da tarde mais ainda, pois oferece um dos maiores espetáculos da natureza: o do pôr do sol, quando os raios do astro rei se projetam nas águas verdes do rio da Prata.

Ali o visitante pode comprar quadros, gravuras, cerâmicas, esculturas e livros de Carlos Páes Vilaró - seu filho, Carlitos, foi um dos sobreviventes dos Andes. A escultura habitável de Vilaró, que está perto dos 90 anos - nasceu em Montevidéu no dia 1 de novembro de 1923 -, mas mantém vitalidade de um garoto, demorou 36 anos para ser concluída.

Quem desejar vivenciar ainda mais a experiência única de conhecer e ficar nessa construção, que chega a lembrar o que foi feito por Gaudí, em Barcelona, tem ainda como opção hospedagem no Hotel Casapueblo, um refúgio exclusivo com 70 apartamentos. Todos com terraço voltados para o estuário do rio da Prata, o mais largo do planeta, com 220 quilômetros da margem uruguaia á margem argentina.