08 de julho de 2026
Turismo

Tradição marítima

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Punta Del Este sempre teve forte tradição marítima. Antes de sua fundação, datada de 1829, a área era um povoado indígena arrendado pelo espanhol don Francisco Aguilar, que tinha como hobby caçar baleias que eram abundantes (hoje, durante o inverno, ainda é possível avistar as "orcas"). Quando um lobo ou leão-marinho sobe até as rochas é sinal de que há baleias se aproximando da praia Mansa (os surfistas saem correndo da água quando isso ocorre).

Muitos anos se passaram e a tradição marítima foi preservada. É só verificar no porto e nas agências de turismo que agendam visitas à Isla de Lobos, em mar aberto, formada exclusivamente por pedras e que abriga uma população calculada de 200 mil leões-marinhos, uma das maiores do mundo.

Se sua meta for ficar somente na cidade, a dica é passear na rambla entre o porto e a praia Brava e procurar os restos de uma embarcação que naufragou há dois séculos e continua ali, como testemunha do tempo. Dependendo da maré é possível enxergar os restos desse navio. Além dele, há pelo menos 1.200 afundados no rio da Prata.

No alto verão, quando a cidade fica congestionada, as lojas abrem somente lá pelas 16h, já que o período da manhã é reservado à praia. Se não quiser se bronzear, reserve o período matinal para seguir pelo largo calçadão e vá até o porto para a "puesta del sol".

Lá, ao fundo, outro cartão postal de Punta: os barcos e os iates se enfileiram no mar depois do retorno de passeios até a ilha; os pescadores com suas embarcações coloridas retornam do mar com redes cheias, suas esposas limpam e vendem pescado na plataforma. Na assistência, aguardando os peixes que sobram das bancas, leões e lobos-marinhos domesticados. Alguns com mais de 300 quilos sobem na plataforma, interagindo sem problemas com os humanos.

O cenário se fecha com as gaivotas que riscam o horizonte azul, imagem de Punta difundida no mundo todo.

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La Mansa: calçadão e passarela

Durante o verão (dezembro a março), a praia Mansa fica repleta de cadeiras de sol e velas coloridas. É a praia dos prédios envidraçados, de apartamentos chiques e do Conrad. Perfeita para caminhadas, ciclismo ou simplesmente para quem quer avistar a beleza do lugar do alto da passarela de madeira estrategicamente construída para tal.

Conforme o turista vai seguindo pelas paradas (a localização em Punta é pelas paradas do ônibus), vai descobrindo uma infinidade de restaurantes (paradores como são chamados por lá), ideais para uma almoço praiano.

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La Brava: onde o mar arrebenta

A praia Brava, de mar, é brava como o nome. As ondas arrebentam nas pedras, espumando a areia que lá é branca. Por toda a extensão vão se sucedendo mansões e edifícios de apartamento luxuosos. O dono da Rayban tem um casa toda espelhada por lá, assim como os milionários argentinos e agora também alguns brasileiros.

Nas paradas 4 e 5, durante o alto verão, a agitação é grande. Mas lá pela 15 a calmaria toma conta. Pelas dunas é possível, se alguém assim querer, cavalgadas tranquilas.

Assim como nos outros bairros e praias de Punta, na Barra as ruas e as casas também têm nomes poéticos (calle Federico García Lorca, calle Pablo Neruda, casas Al Sur, la Oración, las Alegrias...). Nesse trecho - mas no meio, entre o mar e as casas de frente à praia -, fica o privilegiado bairro de Beverlly Hills, com suas casas magníficas e o hotel L'Auberge, famoso por sua torre, seu jardim de rosas vermelhas e pelo chá da tarde (os waffles das 5 acompanhados de chá são uma perdição!).

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La Barra e a 'playa dos bikinis'

Uma ponte curvilínea, ou seja, de duas corcovas, separa as praias Brava da Barra, que fica lotada no alto verão, com baladas correndo soltas até de madrugada. A elevação, em dois lances, atravessa o Arroio Maldonado, uma lagoa limpinha, com areia macia e branca que convida ao lazer.

Essa ponte famosa foi cantada por Pablo Neruda, o poeta chileno: "Entre agua y aire brilla el Puente Curvo: entre verde y azul las curvaturas Del cemento, dos senos y dos simas, com la unidad desnuda de uma mujer o de uma fortaleza...".

É o "point" da moçada, dos surfistas, se estendendo até as praias de Bikini e Manantiales). Perfeita para o alto verão. É uma espécie de Praia do Futuro, em Fortaleza ou de Grumari e Prainha, no Rio, já que durante os meses frios vira um deserto - as lojas de grife, bares e restaurantes são sazonais.

Há alguns anos esse reduto, então exclusivo dos jovens, abriu espaço para novos investidores e artistas cheios da grana que fizeram nas entranhas do bairro seus ateliês, museus, suas mansões.

Saindo da Barra, a uma distância de 40 quilômetros, chega-se a outro endereço badalado: Faro José Ignácio, uma praia pequena, situada entre duas lagoas (Harzón e José Ignácio) com residências modernas de propriedade de gente famosa. Dizem que Shakira, entre outros, de vez em quando passa seus verões por lá. Todas as ruas de José Ignácio têm nomes de pássaros. Um farol, construído em 1877, brilha na noite e garante encanto especial ao lugar, cuja areia é repleta de minúsculas conchas.