08 de julho de 2026
Internacional

Suspeito admite ser espião russo nos EUA


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Washington - Um dos onze suspeitos de fazer parte de uma rede de espionagem russa nos Estados Unidos admitiu que trabalha para o Serviço de Inteligência Internacional da Rússia e que o nome Juan Lázaro e a origem uruguaia são falsos.

O FBI (Polícia Federal americana) prendeu nesta semana dez pessoas acusadas de manter identidades falsas nos EUA para se aproximar de fontes políticas e obter informações críticas sob ordem do governo russo. O 11º suspeito Christopher Robert Metsos, 54 anos, escapou das autoridades em Chipre, onde o suspeito não se apresentou a uma convocação judicial depois de ser libertado sob fiança.

A Rússia negou vigorosamente saber da rede de espionagem, um grupo que seria denominado “ilegais” por Moscou. Depois, admitiu que alguns dos suspeitos eram efetivamente russos e os dois países passaram a declarar que o caso não afetaria as recém-retomadas relações diplomáticas.

Lázaro afirmou ainda que os serviços secretos russos pagaram por sua casa em Yonkers. Ele é casado com outra das acusadas, Vicky Peláez, uma jornalista peruana que trabalha no jornal “El Diario/La Prensa” e que alega inocência.

Segundo os documentos da Justiça americana, Lázaro confessou após sua prisão, em 27 de junho, mas se negou a revelar seu verdadeiro nome. “Apesar dele ter dito que amava seu filho, nem sequer por ele violaria sua lealdade ao serviço de espionagem russo”, dizem os documentos, que não revelam que tipo de informação crítica ele teria passado à inteligência da Rússia.

Lázaro e Peláez compareceram ontem, com outros acusados, diante do tribunal federal de Nova York para que sejam lidas as acusações e para que o juiz Richard Ellis determine se haverá fiança - que poderia ficar acima dos US$ 250 mil.

A Procuradoria afirma ainda que Peláez viajou a um país da América do Sul em 2000, para entregar cartas, no nome de Lázaro, ao serviço russo.

Entre as provas apresentadas pela Promotoria estão ainda as declarações de Lázaro sobre sua infância na Sibéria, que aparecem em algumas gravações feitas pelo FBI na casa em Yonkers (norte de Nova York).

Nas gravações de 20 de fevereiro de 2002, depois que Peláez regressara de uma viagem a um país sul-americano para receber dinheiro do serviço secreto russo, ela e Lázaro falam de como ela trouxe o dinheiro escondido no equipamento de jornalista. Eles dizem, ainda segundo a acusação, que o dinheiro era todo para eles e para a casa.

Há ainda gravações de Lázaro, do dia 23 de novembro de 2002, retransmitindo por rádio de sua casa em Yonkers ao “centro de Moscou” informações sobre o conflito na Tchetchênia.

Peláez mantém, contudo, declarações de inocência e diz que as acusações são “uma autêntica ficção científica”. Segundo o advogado da jornalista, ela pensa que a motivação vem de sua coluna e das posições antiamericanas que assume nelas.

Atuação

A missão deles era conviver com americanos. O objetivo era obter informações de bastidores, mas não necessariamente informações secretas de caráter militar ou estratégico. Por isso, eles não são acusados de espionagem e sim de serem agentes russos sem registro e de conspirarem para lavagem de dinheiro.

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Russos oferecem assistência a acusados de espionagem

Moscou - O governo russo ofereceu ontem assistência diplomática aos dez supostos espiões detidos nos Estados Unidos sob a acusação de trabalhar para a Rússia, e pediu que Washington forneça mais informações sobre o caso.

“Se os detidos necessitarem deste tipo de assistência, nós a ofereceremos plenamente”, declarou em entrevista coletiva o porta-voz da Chancelaria russa, Andrei Nesterenko, ao ser questionado sobre se Moscou se propunha ajudar os acusados de espionagem.

Após Washington divulgar a prisão dos supostos espiões, Moscou declarou que a maioria deles era de “cidadãos russos que foram parar no território americano em outros tempos”, e negou que cometessem atos dirigidos contra os interesses dos EUA.

“Proteger os cidadãos russos no exterior é uma obrigação sagrada de nossas missões diplomáticas e de seus departamentos consulares em outros países”, ressaltou Nesterenko.

O diplomata disse que Moscou ainda não recebeu informações suficientes de Washington sobre o caso.

O representante do Kremlin para a defesa dos direitos das crianças e adolescentes, Pável Astájov, expressou sua preocupação com o futuro dos filhos dos casais presos.

“Não se pode permitir que os direitos das crianças sejam violados e que eles sejam hospedados em orfanatos caso tenham familiares dispostos a acolhê-los temporariamente”, ressaltou Astájov em comunicado.