09 de julho de 2026
Regional

Criança morre afogada em balde de água

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – Alguns minutos de descuido por parte de uma mãe foram suficientes para que seu filho de 1 ano e 3 meses se debruçasse sobre um balde cheio de água e acabasse se afogando. A ocorrência foi registrada na manhã de anteontem, no imóvel onde a família morava, um cômodo na antiga estação ferroviária de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), na rua Benjamim Constant, Vila dos Lavradores. A criança foi socorrida, mas morreu ontem de madrugada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital da Clínicas da Unesp.

De acordo com o comandante da Guarda Civil Municipal (GCM) do município, Paulo Renato da Silva, a mãe de Mateus Rocha Velo, Elizabete Rocha, teria deixado um balde com água no quintal e ausentado-se por alguns minutos para limpar um dos cômodos.

Quando retornou ao local, encontrou o filho com a cabeça mergulhada no balde, já inconsciente e sem respirar. “O primeiro atendimento foi feito por um operário que estava trabalhando no prédio ao lado”, revela. “Ele fez uma massagem da forma leiga que ele conhecia para ajudar no momento em que ele encontrou a criança”.

Em seguida, segundo o comandante, o Corpo de Bombeiros foi acionado. Desesperadas, testemunhas começaram a gritar por socorro e acabaram sendo ouvidas por guardas da base da GCM, que fica próxima à estação. A viatura, então, deslocou-se até o local para verificar o que estava ocorrendo.

“A gente prestou o socorro na condução dessa criança até o pronto-socorro”, informa, ressaltando que o primeiro atendimento foi feito no Hospital Sorocabana, distante aproximadamente quatro quarteirões do endereço onde ocorreu o acidente.

No início da tarde, a vítima foi transferida em estado grave para a UTI Pediátrica do HC da Unesp onde, de acordo com a assessoria de imprensa, permaneceu internada até 1 hora da madrugada de ontem, quando veio a óbito.

A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher, Simone Alves Firmino Sampaio, abriu inquérito para apurar o caso e, nos próximos dias, deverá ouvir a mãe da criança, o operário que prestou os primeiros socorros à vítima e outras eventuais testemunhas.

Embora pareçam pouco prováveis, acidentes com crianças que caem dentro de baldes em suas casas ocorrem com frequência. Em fevereiro, uma criança de 9 meses morreu pelo mesmo motivo em Jundiaí e, em 2006, outra foi vitimada em Marília. Há registros de outros casos, nos últimos anos, nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Piauí e no Distrito Federal.

O tenente do Corpo de Bombeiros de Botucatu, Edson Winckler Filho, cita alguns cuidados que pais e familiares devem ter com crianças e idosos para evitar acidentes domésticos. Uma das principais dicas é evitar que eles se sintam ‘a vontade’. “Eles devem estar sempre supervisionando”, alerta.

“Já tivemos casos de crianças que subiram em tanques que tinham água acumulada e acabaram se afogando”, conta. “A criança tem a curiosidade e acaba, realmente, correndo alguns riscos que ela não percebe a gravidade”.

Além da supervisão constante, no caso das crianças, o tenente também orienta os pais a não deixar móveis que possam servir de escada próximos a janelas de prédios, impedir o acesso a sacadas, e tomar cuidado com tanques, produtos de limpeza, remédios e panelas no fogo ao alcance dos pequenos.

No caso dos idosos, ele recomenda o uso de tapetes de borracha nos pisos dos banheiros para evitar quedas, uma das principais causas de acidente doméstico nesta faixa etária.