Aos 92 anos, mais da metade deles dedicados à educação, o professor Edésio Del Santoro remonta trajetória profissional em autobiografia. Intitulado “Minha Longa Caminhada”, livro serve como roteiro do trabalho educativo do sorocabano, que leva os leitores à sua cidade natal, a São Paulo, Taubaté, Tremembé, São José dos Campos, Santo André e Santos, além, é claro, a Bauru, onde foi diretor do Instituto de Educação “Ernesto Monte”, entre os anos 1952 e 58.
“Este livro é uma grande satisfação pessoal e também uma forma de divulgar o que foi feito nas escolas”, comenta o professor de sua casa em Santos, onde chegou em 1963 e também fez história no setor educacional da cidade como diretor do Colégio Canadá e secretário de Educação.
Em capítulo dedicado a Bauru entre as 118 páginas, Santoro descreve as melhorias implementadas no “Ernesto Monte” como a organização da associação de pais e mestres, instalação de cantina, bebedouros e biblioteca, quadras poliesportivas, entre outras. O jornal da escola também foi editado e uma fanfarra foi organizada, composta por 300 alunos de ambos os sexos sob a direção de Ochelsis Laureano.
Um de seus orgulhos foi promover nas escolas palestras com personalidades, como a realizada em Bauru por Luiz Gonzaga Bevilacqua, presidente do aeroclube local e membro da comissão internacional de voos interplanetários. “Ele exibiu uma maquete de bomba voadora V2 utilizada pelos alemães ao final da segunda guerra mundial. Foi categórico que muito em breve, estávamos em 1952, o homem chegaria à Lua e, através da instalação de plataformas, poderia ir longe as conquistas planetárias”, recorda no livro. “Os professores e alunos ficaram encantados com aquilo e acredito que falte mais deste contato nas escolas”, completa o professor, ex-jogador de basquete.
Para Santoro, a primeira deficiência enfrentada pela educação é a má formação dos professores. “Muitos não são habilitados. O preparo é zero”, resume. O professor defende ainda a valorização da profissão. “A educação exige que seus adeptos façam uma opção consciente de vocação para as suas tarefas. Mais missão do que tarefa, pois não deve se envolver com a modelagem das almas humanas aqueles que não têm vocação, porque cometerão muitos erros, todos eles irreversíveis, além de se envenenarem com sentimentos de frustração”, lê-se em suas conclusões.
“Minha Longa Caminhada” foi distribuído em bibliotecas e escolas das cidades onde o professor deixou sua contribuição. Não há previsão de lançamento em escala comercial.