11 de julho de 2026
Articulistas

Mas, afinal, onde fica o ‘País das Maravilhas’?

Amanda P. Dippólito
| Tempo de leitura: 3 min

As histórias clássicas infantis com certeza estão repletas de sentidos relacionados ao mundo dos adultos, e não poderiam ser diferentes, afinal, foram escritas por adultos e os mesmos, ao manifestar seus sentimentos, preferiram se colocar no lugar de crianças, talvez pelo fato de elas não reprimirem a imaginação. Após ler “Alice no País das Maravilhas”, es-crito por Lewis Carroll, percebi o conteúdo existente nas entrelinhas, que não fui capaz de compreender quando criança, pois a história mostra diversos conflitos e o leitor pode in-terpretá-los de diversas maneiras. É uma leitura que realmente recomendo, pois acredito que não existe um ser humano capaz de ler esse livro e não se identificar com ao menos uma parte da história. Existe uma questão levantada neste clássico que se encaixa perfeitamente em algum momento da vida de qualquer pessoa: no começo da história, Alice cai em um buraco e começa a ter conflitos internos, ela se questiona, outras vezes se diminui, diz que tem duas personalidades e que não é capaz de demonstrar às pessoas que a cercam pelo menos uma personalidade “respeitável”. Nunca havia imaginado que uma criança pudesse se sentir assim, você já? Mas é claro que como adulto você muitas vezes já se sentiu assim, em um buraco bem fundo, olhando as pessoas lá em cima vivendo como se nada de ruim estivessem acontecendo a elas, sem contar às vezes que você já deve ter se sentido desrespeitado e sozinho exatamente como a Alice.

Vivemos todos os dias com a esperança de existir um “País das Maravilhas”, onde tudo dê certo por si só, mas quando percebemos que esse lugar maravilhoso só existe para os outros, fica mais difícil se afundar em um “buraco” e sentir calmamente a queda, como a Alice fez no começo da história contada por Carroll. Com isso ela descobriu que existia uma força dentro dela chamada superação, e que se para descobrir o que ela tinha dentro de si era necessário afundar um pouco mais. O melhor a fazer naquele momento era se arriscar.

Outra pessoa no lugar de Alice poderia ter ficado no fundo do buraco de braços cruzados, olhando a vida passar e sem forças para se juntar a tudo o que ela observava lá em cima, é como se estivesse convencida que nunca iria fazer parte daquilo tudo. Alice viveu momentos de alegria, dúvida, aventura e choro... Muito choro e quando finalmente chegou ao seu destino não era nada daquilo que ela esperava, pelo menos não era nada daquilo que eu, como leitora, esperava do tão sonhado “País das Maravilhas”. Ela foi desafiada constantemente para chegar até lá, porque era grande, porque era pequena, enfim, todos nós temos nossos momentos de “Alice”, inclusive os mais fortes e inteligentes, o que muda é a forma com que cada um irá conseguir sair da situação em que está. E desafios, mudanças, tristezas e até alegrias são momentos inevitáveis na vida de cada um, e eles acontecerão, mesmo contra sua vontade, esteja você em um “buraco” ou não. Vale dizer que Alice saiu do “buraco” em que estava sozinha, claro que depois de tantos desafios ela nunca mais foi a mesma, e o mais importante é que, mesmo chegando ao “País das Maravilhas”, ela percebeu que o melhor era voltar para casa e continuar com a vida que levava e se cercar das mesmas coisas e pessoas de antes. Você pode até se perguntar: “Mas, afinal, onde fica o “País das Maravilhas”? Eu nem mesmo sei se ele existe, mas se a “Alice” fosse real e pudesse nos contar, eu acho que ela diria que só chega até ele quem é capaz de desafiar a si mesmo, como ela fez. Depois dessa, com certeza ela adquiriu uma personalidade que se respeite.

A autora, Amanda P. Dippólito, é estudante de Pedagogia do Iesb Preve