“Modelo - Maringá é a primeira experiência de fiscalização de gastos públicos organizada por cidadãos no País. Que não seja a primeira e apareçam outras. A experiência do Observatório Social de Maringá (OSM) vai ser divulgada como modelo de atuação da sociedade civil no combate à corrupção e controle social da gestão pública para todos os países da América Latina, segundo divulgou recentemente a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). “A grande sacada deste grupo é a profilaxia. Age para evitar que o ato corrupto aconteça, o que não ocorre quando a fiscalização é feita pelo
próprio setor público”, afirma Francisco Tancredi, membro do projeto Experiências em Inovação Social da ONU, citando como exemplo o Tribunal de Contas, que quase sempre age tardiamente. Publicado no Jornal da Cidade de Bauru – 26/05/2010 – pág. 22. Agora, pensemos: se o “cidadão brasileiro” tivesse a mínima noção do que é cidadania... Se o cidadão soubesse qual o seu papel... qual o seu direito e o seu dever... Então essa nota perdida num cantinho do jornal retrataria o que deveria neste momento estar ocorrendo em cada um dos municípios brasileiros (inclusive Brasília e Distrito Federal).
Vocês já pensaram na repercussão disso? Na transformação da relação política entre eleitor e eleito?? Já pensaram nos efeitos de termos cidadãos praticando a boa política?
Imaginem: o próprio cidadão fiscalizando a aplicação do erário!! isso parece sonho! Primeiro, organizando-se em associações locais, para ficar de olho na câmara de vereadores e prefeitura...(como fizeram em Maringá)
Em seguida, criando associações para fiscalização dos gastos do Estado...
é menos difícil do que se imagina: só precisa de gente politizada, cidadãos de verdade: com o trabalho voluntário de uma hora por semana de centenas de contadores, contabilistas e administradores, seria possível fiscalizar exaustivamente todos os editais de licitação estaduais (já que todos são publicados diariamente nos diário oficial) e os gastos mensais de todas as Secretarias de Estado!!!
Até quantas canetas os Srs. Secretários compraram ficaríamos sabendo... Ficaríamos sabendo, por exemplo, onde estão as obras superfaturadas e as licitações suspeitas...
Ficariam a descoberto, por exemplo, os engodos dos projetos educacionais do Estado que nunca saíram do papel (e não são poucos!!)... Ficaria visível, por exemplo, o valor aviltante da hora-aula que cada professor recebe neste Estado (bem diferente da propaganda mentirosa que o Sr. governador paga com o nosso dinheiro na TV)... Ou seja: o cidadão ali do lado fiscalizando, o tempo todo, a cada dia, o ano inteiro...
Hoje vivemos uma realidade completamente distinta, onde Maringá encarna o próprio significado da expressão “única exceção”. Parabéns para os cidadãos de Maringá! Eu “tiro o meu chapéu”!!! Vamos começar a multiplicar as Maringás??
O autor, Silvio Motta Maximino, é professor de filosofia