11 de julho de 2026
Esportes

Seleção Brasileira: Novo técnico terá que renovar equipe


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O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, disse que o novo técnico da Seleção Brasileira terá que fazer um trabalho de renovação na equipe e trabalhar com jogadores jovens. Teixeira disse que ainda não tem um nome definido, mas que o novo comandante terá que, obrigatoriamente, aceitar trabalhar com jogadores das categorias de base da seleção.

“Peguei uma relação da Fifa com a idade dos jogadores. A Alemanha tem nove jogadores com menos de 23 anos. A Argentina tem sete, e Gana, 11. A Espanha, seis. E nós só temos um”, disse Teixeira ao canal SporTV. “Nós temos que nos preparar para a Copa de 2014. E para isso será necessário um grande sacrifício para a formação do time. Para jogar na seleção em 2014, o jogador tem que ter [agora] 18, 19 ou 20 anos, e depois o técnico escolhe um ou outro jogador mais experiente. Não tem outra saída. Vai ter que ser nessa linha [de trabalho]”, acrescentou Teixeira.

Entre outras exigências do mandatário da CBF, o novo técnico terá perfil que reúna as melhores características de Carlos Alberto Parreira, comandante em 2006, e Dunga, técnico demitido após o Mundial da África. Parreira foi criticado pelo excesso de liberdade dada aos jogadores. As críticas a Dunga vieram pelo excesso de rigor e isolamento total do elenco durante a Copa. “O interessante é um meio termo [entre os dois]”, falou o dirigente.

Teixeira também frisou que o treinador que assumir o cargo terá que ser exclusivo da Seleção Brasileira. A decisão reduz a chances de Luiz Felipe Scolari - que tem contrato verbal com o Palmeiras até o final de 2012 - voltar ao cargo em que triunfou na Copa de 2002. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, já disse que não pretende liberar Scolari para acúmulo de funções na seleção brasileira.

Dunga atrapalhou

Um dia após anunciar a demissão de Dunga do comando da seleção brasileira, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez crítica velada ao destempero do ex-treinador do time durante a Copa do Mundo. Em várias entrevistas como técnico do Brasil, Dunga deu respostas ríspidas e confrontou repórteres. Durante o Mundial da África do Sul, ele chegou até a falar palavrões a um jornalista sem perceber que as ofensas eram captadas pelo microfone.

Teixeira disse acreditar que as ações da comissão técnica fora do campo influenciam os atletas durante uma partida. Para o dirigente, o abalo psicológico dos brasileiros após o primeiro gol da Holanda nas quartas de final, na última sexta-feira, foi responsável pela derrocada da equipe no Mundial. “É um contexto todo, mas claro que [o destempero fora de campo] influencia. Se sou o presidente da CBF e invado o campo para bater no juiz, é claro que desestabilizo também a comissão técnica e os jogadores”, disse Teixeira ao canal SporTV.

“Ficou muito patente que o time ficou fora do esquadro depois de ter tomado um gol. É isso que estou dizendo”, acrescentou. O presidente da CBF também disse aprovar a atuação de psicólogos na seleção brasileira - medida incomum em clubes. “Acredito que o trabalho de uma psicóloga na seleção brasileira é fundamental.”

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Dunga divulga carta aberta

Demitido do cargo de técnico da seleção brasileira, Dunga usou sua página oficial na Internet para divulgar uma carta aberta ao presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira. O capitão do tetracampeonato foi demitido da função na tarde de anteontem, horas após dizer que poderia permanecer no cargo. A demissão ocorreu por telefone e foi anunciada oficialmente em um curto comunicado publicado no site da CBF.

Na carta, Dunga diz que “com certeza, todos os erros do passado foram corrigidos”, em referência à preparação da equipe para a Copa de 2006, quando a Seleção Brasileira foi comandada pelo treinador Carlos Alberto Parreira. Dunga cita ainda o fato de ter seguido com “obediência às suas determinações” e chamou Jorginho de “leal assistente-técnico”.

“Resta-me acatar sua decisão, pois, certa ou não, a mim não cabe questioná-la, na medida em que essa é a prática, de longa data, adotada no futebol, de todos conhecido, considerando que a vida segue, os compromissos são muitos e os interesses variados e complexos”, afirmou Dunga.

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Para Parreira, Copa no Brasil será pressão extra

Campeão mundial como treinador em 1994, Carlos Alberto Parreira é um especialista em Seleção Brasileira. Portanto, ele avisa que o próximo comandante da equipe canarinho, o substituto de Dunga, terá de se preparar para cobranças ainda maiores em relação ao antecessor.

“A obrigação de ganhar a Copa do Mundo de 2014 será maior pelo fato de o torneio ocorrer no Brasil e também porque o País acumula duas eliminações seguidas nas quartas de final depois de três finais seguidas (1994, 1998 e 2002)”, afirmou o técnico da África do Sul em 2010, em coletiva de um dos patrocinadores do Mundial.

Até mesmo Parreira teve o nome lembrado para assumir a Seleção Brasileira. Porém, o técnico, de 67 anos, rechaça a possibilidade de participar da Copa do Mundo de 2014, pelo menos no comando de um time. Um cargo administrativo seria a sua prioridade. “Já fui técnico da Seleção em três oportunidades, agora eu tenho certeza que o Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol) vai escolher o melhor nome”, afirmou Parreira, deixando as especulações para Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes e Leonardo.

Ainda sobre a participação brasileira em 2010, o tetracampeão mundial ficou surpreso com a reação da Seleção durante o segundo tempo da partida contra o Holanda. O descontrole emocional proporcionado pelo gol de empate da Laranja Mecânia deixou Parreira incomodado. “Alguns dos jogadores não poderiam ter ficado tão nervosos”, lastimou.

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Mano incomodado com boatos

Mano Menezes sempre fugiu de perguntas sobre a Seleção Brasileira com a alegação de que não queria desrespeitar o trabalho de Dunga. O comandante do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul já foi dispensado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e o técnico do Corinthians passou a ser cotado como substituto. Ainda assim, não quer criar polêmica.

Com contrato com o Corinthians até o final de 2011, Mano evita alimentar os boatos sobre um possível acerto para dirigir a Seleção. “Isso é especulação. Devo tomar muito cuidado nessa hora, pois não vivo de especulações na minha profissão. Hoje, iniciei o trabalho da semana integralmente voltado ao meu time. É assim que vou continuar”, disse, na manhã desta segunda-feira.

O treinador não conseguiu disfarçar o incômodo com a insistência dos boatos. “Não existe ‘se’ no futebol”, esbravejou, tentando mudar de assunto. “Não vou mais falar sobre Seleção”. Poucos segundos depois, no entanto, ele recobrou a calma para novamente se posicionar sobre o cargo vago na CBF. “Todo profissional pensa em Seleção. É um caminho natural. Mas a minha linha de visão sobre essas coisas é de que precisamos fazer o melhor onde estamos. Sem desrespeito nenhum à Seleção, não vou dormir e acordar com ela na cabeça. É preciso tomar cuidado com qualquer especulação”, repetiu.

Mano chegou ao Corinthians em 2008, para assumir o que classificou como “o maior projeto do futebol brasileiro” naquela temporada: dirigir a equipe paulista na Série B do Campeonato Brasileiro. Com as conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil no ano seguinte, o técnico começou a se credenciar para trabalhar no futebol europeu (estuda inglês e espanhol) e chegar à Seleção Brasileira, conforme almeja para a sua carreira. “Ver o meu nome citado me traz bastante orgulho, pois é sinal de que o meu trabalho está sendo bem encaminhado”, enfim se animou o treinador do Corinthians.