Belo Horizonte - O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações, confirmou ontem que testemunhas disseram que uma sandália e um par de óculos escuros encontrados no carro do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, são de Eliza Samudio, 25 anos, ex-namorada do jogador que está desaparecida.
De acordo com o delegado, a polícia já ouviu cerca de 30 pessoas, mas ele não quis dar detalhes sobre as identidades das pessoas que prestaram depoimento. “Tem que falar pouco, não podemos dar milho ao bode”, disse.
Moreira afirmou também que Bruno, principal suspeito pelo desaparecimento da ex-namorada, deve ser ouvido nesta ou na próxima semana pela Polícia Civil mineira. Na manhã de ontem foi divulgado que não havia previsão para seu depoimento. Também ontem, o Ministério Público Estadual designou o promotor de Justiça Gustavo Fantini de Castro para acompanhar as investigações sobre o desaparecimento da ex-namorada.
Um veículo Blazer, de propriedade de Claiton da Silva Gonçalves, amigo de Bruno, chegou ao Instituto de Criminalística (IC) para passar por perícia. Outros carros de amigos do goleiro serão analisados.
A polícia informou que foi feito o pedido de exame de DNA no sangue humano encontrado no veículo Range Rover de Bruno. Segundo Sérgio Ribeiro, diretor do IC, até o final da próxima semana será possível saber se o sangue é de Eliza Samudio.
O advogado da família Samudio, Jader Marques, teve acesso ao inquérito ontem e o considerou “maduro”. Segundo ele, só falta agora localizar Eliza. “Esse é talvez o único elemento que está faltando para essa investigação, tudo mais já está feito”, afirmou.
O pai de Eliza, Luís Carlos Samudio, também criticou Bruno ontem em um programa de TV mineiro. Ele voltou a chamar o goleiro de covarde e disse querer abraçar Eliza “do jeito que ela estiver”. O goleiro nega as suspeitas e diz que não vê Eliza há “dois ou três meses”.
Buscas
Ontem, policiais e equipes do Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas pelo corpo de Eliza na Lagoa Suja, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Os policiais vasculharam o local após uma denúncia anônima, que dizia que o corpo da jovem teria sido jogado no local amarrado a pedras e estaria no fundo da lagoa.
Até o fechamento desta edição, porém, nada havia sido encontrado.
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Deixado pela mãe, goleiro foi criado pela avó
Belo Horizonte - Assim como Eliza Samudio, o goleiro Bruno não teve contato com a mãe na infância. Ele foi criado pela avó paterna Estela Santana Trigueiro de Souza, hoje com 78, após ser abandonado pela mãe com três dias de vida - diferentemente do que aconteceu com Eliza, o pai não teve condições de criá-lo. Na infância, em Ribeirão das Neves - região metropolitana de Belo Horizonte -, vendeu picolés e descarregou carretas para ajudar na renda de casa.
O futebol lhe trouxe os pais de volta. Aos 18, quando começava no Atlético-MG, conheceu o pai. Menos de um ano depois, ele morreu.
A mãe reapareceu quando ele defendia o Corinthians, em 2006, com ajuda de um programa de TV. O goleiro diz tê-la perdoado pelo abandono, mas que não teria a mesma atitude. “Independentemente de ser jogador de futebol, não largaria minhas filhas”, disse Bruno à TV Lance!, na Internet, no final de maio.
Ele começou nas divisões de base do Cruzeiro, de onde foi dispensado. Resgatado pela Tombense, foi contratado em 2002 pelo Atlético-MG.
Tornou-se titular em 2005 e chamou a atenção do Corinthians. Em 2006, transferiu-se para o Flamengo. Conquistou o tricampeonato estadual e, como capitão, o Brasileiro do ano passado. Tem uma relação de amor e ódio com a torcida. Neste ano, mandou beijos irônicos aos torcedores que o vaiavam no Maracanã.
Em seu último ano em MG, foi detido acusado de participar de um racha e condenado a pagar 30 cestas básicas.
No Flamengo, agrediu um torcedor após se recusar a tirar uma foto e ser ofendido. Também acabou na polícia em 2008 após discussão com garotas de programa, em seu sítio em Esmeraldas (MG).
Na favela Santa Matilde, em Ribeirão das Neves, Bruno começou a namorar, ainda na pré-adolescência, Dayanne, com quem casou e teve duas filhas. Hoje, estão separados. Ela mora num apartamento, mantido por ele, na Barra da Tijuca. Ele vive num condomínio no Recreio dos Bandeirantes, bairro vizinho da zona oeste do Rio de Janeiro.