08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A CRIATURA A VIDA E A MORTE


| Tempo de leitura: 3 min

Ao ler o Jornal da Cidade de 26 de junho passado, soube de uma morte por assassinato na Vila São Paulo. Mais uma vida ceifada por armas. A quarta em Bauru no mês de junho. Não me surpreendo e nem me envergonho por estar chorando. Choro o pranto d’alma por saber de tantas tragédias. Choro pelos que foram mortos e pelos que mataram. As vítimas: Mauricio Yamanoi, 41, José de Nazaré Mendes, 72, Clarice Loçaraça Rosa, 34, e José Bonifácio de Souza Lima, 43. Os assassinos, Alexandre Zambonaro Gonçalves, 35, matou dois, Yamoni e José de Nazaré, se nega a declarar as razões que o levaram a cometer os bárbaros crimes; Helio de Almeida, 41, por questão de pensão alimentícia e um ou mais fugitivos do crime por razões ignoradas na Vila São Paulo.

Não perguntem onde estava Deus nos momentos das mortes. Perguntem por que os assassinos estavam afastados de Deus ao matarem irmãos. Não afirmem que “foi vontade de Deus”. Não Lhe transfiram a brutalidade da Sua criação nascida para amar e praticar o bem a tudo e a todos que a envolve. A sociologia e a antropologia, ciências que procuram explicar as relações entre indivíduos e grupos de indivíduos, o homem e a humanidade, têm suas tentativas sem, no entanto e nem sempre, definir o comportamento de um assassino. Vingança, ciúme, assalto, dívida, drogas, pensão alimentícia, traição ou outras emoções incontroladas, justificam matar o próximo? E os familiares das vítimas e dos assassinos como ficam? À sociedade provavelmente passará, mas as feridas dificilmente cicatrizarão nos corações dos ligados às vítimas e aos matadores pelo sangue e pelo amor.

Permanecerão na eterna expectativa da justiça das leis dos homens que nem sempre se faz correta. A partir do momento da tragédia, qual o sentido de vida dos algozes e seus familiares e dos familiares das vítimas? Talvez nem o tempo lhes permita sentir o carinho das estrelas que até então sentiam. Nem o sorriso espontâneo, nem a palavra alegre, nem a tentativa do conforto nos abraços amigos. Suas vidas ficarão vazias. A saudade e a dor ocuparão esses espaços.

“Arranque a máscara do rosto de qualquer homem e o que encontramos? Um coração sombrio por trás de um rosto sorridente, a madeira retorcida da humanidade”. Immanuel Kant 1724-1804. Apesar dos milênios, do progresso, da evolução tecnológica, o homem continua a usar máscara sobre o sorriso voltado egoisticamente para seus interesses em bens materiais e instintos bestiais. O mais importante, o crescimento espiritual permanece nos degraus sob seus sapatos envernizados para sua ascensão imoral. Até matar, se for preciso, para alimentar o seu impulso selvagem.

Aos familiares das vítimas, dos assassinos e a eles próprios, o pranto interior sem revoltas. Apenas o lamento dolorido e a eterna interrogação: por que e para quê? A eles, novamente a filosofia de Immanuel Kant: “Duas coisas povoam a mente como uma admiração e respeito sempre novos e crescentes... O céu estrelado e a lei moral dentro de nós”.

Munir Zalaf