09 de julho de 2026
Articulistas

A Seleção, o Dunga e a economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A desclassificação da Seleção Brasileira de futebol foi frustrante. Entretanto, é questão de sabedoria tirar proveito das derrotas e, em particular, traçar uma relação com a economia nacional.

O Dunga como treinador teve o mérito de resgatar nos jogadores o amor pela camisa brasileira. Não faltou vibração. Também conseguiu harmonizar o grupo, o que é positivo.

Na outra ponta, não teve controle emocional. O cargo de treinador de futebol em um país que respira este esporte tem que ser exercido por pessoas mais bem preparadas.

O Dunga confundiu “fechar” o grupo, com “isolar” o grupo. Não lidar adequadamente com a imprensa, ser hostil em suas colocações, tomar como pessoal perguntas normais, enfim, não ter jogo de cintura no dia-a-dia, geram responsabilidades adicionais e a cobrança por resultados é inevitável.

Mas, afinal, o que isso tudo tem a ver com a economia? Do ponto de vista comportamental, a soberba. A equipe econômica e principalmente o presidente da República não podem entender que a economia brasileira está madura.

Ela está mais blindada, mas não fizemos o básico, que sustente o crescimento. Precisam saber transmitir isso à população sem sofismas, e ter a humildade de reconhecer que temos muito a construir.

O Dunga teve uma trajetória de sucesso em competições menores, porém, isso tudo ficou em segundo plano à medida que a conquista da Copa do Mundo era o principal objetivo. Na economia é assim: de nada adiantará o esforço pelo controle da economia se não houver a busca do objetivo maior, que garanta crescimento sustentado. É só analisar um item na economia nacional: a carência de investimentos em infraestrutura.

Além disso, semelhante a alguns jogadores que chegaram fora da melhor condição física, podemos dizer que a carga tributária brasileira é excessiva e os juros internos proibitivos. Fora do padrão desejado.

Tenho dúvidas se o “banco de reserva” da atual equipe de governo é de qualidade ao ponto de poder substituir os titulares com desenvoltura. Esta deficiência foi a tônica da seleção brasileira. Enfim, no futebol, na política, na vida, nunca pode existir o egocentrismo. A busca excessiva pelo poder isola as pessoas.

Dunga foi vitima de si mesmo e a nossa economia não pode ser vítima de excesso de otimismo, imaginando que com a retomada pura e simples do crescimento econômico garante ao Brasil uma apreciação como potência econômica. Há muito a fazer.

Agora uma coisa é verdadeira, em termos de popularidade o Presidente Lula está mais para Maradona do que para Dunga, mas mesmo assim, Maradona amargou uma derrota sem precedentes na história da Argentina. Futebol e economia, dois temas apaixonantes e com muitas semelhanças e que devem ser tratados com muita responsabilidade.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC