09 de julho de 2026
Polícia

‘Estou arrependido’, diz Zambonaro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Após 19 dias de silêncio, o agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves falou pela primeira vez, por meio de seu advogado, sobre as razões que o motivaram a atirar contra os comerciantes Maurício Yamanoi, 41 anos, dono do bar Japa Lalá, e José de Nazaré Mendes, 72 anos, pai do proprietário do bar do Português, no mês passado. Segundo ele, a decisão de assassinar Yamanoi deu-se em razão de uma discussão ocorrida dias antes, e a morte de Mendes aconteceu ao acaso. Também disse estar arrependido do que fez e pediu desculpas à mãe, Dalva Marisa Zambonaro, e às famílias das duas vítimas.

A conversa de cerca de três horas com o advogado oficialmente constituído, Luiz Celso de Barros, ocorreu anteontem em uma sala da Penitenciária 2 de Tremembé, que fica no Vale do Paraíba. Além de falar sobre o dia do crime e tomar conhecimento da estratégia de defesa, o réu também assinou uma procuração para autorizar Barros e a advogada Rosângela Breve a se tornarem, a partir de agora, seus representantes judiciais.

Segundo Barros, o agente é acompanhado por médicos e continua tomando medicamentos, mas conseguiu relatar preliminarmente a sequência dos fatos ocorridos no dia dos crimes. “Ele tem noção do que aconteceu, talvez uma visão distorcida, mas tem. Ele lamentou e disse: ‘Eu estou arrependido do que fiz, não era isso que eu queria’. Ele falou muito durante esse primeiro encontro, mas ainda está abalado”, comenta o advogado.

Barros relata que Zambonaro contou ter tido “uma discussão muito séria” com Yamanoi cerca de dois a três dias antes do crime, mas não revelou qual teria sido a motivação deste desentendimento. No dia 18 de junho, o agente, armado com um revólver, foi até o bar e novamente entrou em conflito com o comerciante.

José Mendes, que bebia uma cerveja no estabelecimento, teria tentado acalmar os ânimos e, por “ter intercedido em favor do proprietário e entrado na frente”, acabou sendo atingido. A tese confirma a hipótese levantada por uma das testemunhas ouvidas pelo JC à época do crime.

“O Alexandre estava pré-determinado a atingir o Maurício e, no calor da discussão, atirar no José foi algo que aconteceu ao acaso. Ele me disse: “Não sei onde eu estava com a cabeça”. Tanto é que ele contou que conhecia o filho do José, porque frequentava o bar do filho dele, no Higienópolis”, observa.

Defesa pronta

Conforme o JC já havia divulgado, a defesa deverá utilizar como argumento os problemas mentais de Alexandre, entre eles transtorno bipolar e depressão, na tentativa de que ele seja condenado a cumprir pena em uma instituição psiquiátrica. O advogado do réu confirmou a informação.

“O tratamento dele é fundamental para a sua recuperação e reinserção na sociedade. Ele tem de pagar pelo crime, mas este aspecto (do local onde cumprirá a sentença) é primordial”, pontua.

Segundo o advogado, a linha de defesa já está pronta e uma cópia do texto com a estratégia foi deixada com Zambonaro para sua avaliação. Barros diz que Zambonaro está consciente da dimensão do crime.

“Ele vai avaliar a defesa que preparamos e dizer se concorda. Como agente penitenciário durante 12 anos, ele tem um conhecimento mínimo do direito penal e sabe das consequências que virão por aquilo que ele causou”, pondera, lembrando que seu cliente responde, também, processo administrativo disciplinar instaurado pela Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

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Em juízo

Para apresentar sua defesa em juízo no âmbito criminal, Alexandre Zambonaro Gonçalves deverá ser citado por um oficial de Justiça de Tremembé, o que deve ocorrer dentro dos próximos dias. Os advogados terão mais dez dias para responder por escrito à acusação de duplo homicídio duplamente qualificado. Zambonaro permanece sozinho em uma cela especial, monitorado 24 horas por dia.