Após vencer a Alemanha por 1 a 0 (gol de Puyol) e chegar, pela primeira vez, a uma final de Copa de Mundo, a Espanha pode se tornar a segunda seleção da história a fazer a ‘dobradinha’ (campeã continental e mundial). A única equipe que atingiu tal feito foi a Alemanha Ocidental. Em plenos idos da Guerra Fria, a Mannschaft sagrou-se campeã da Eurocopa em 1972 - quando bateu, na decisão, a Bélgica por 3 a 0 - e, dois anos depois, ergueu o troféu da Copa do Mundo de 1974 ao superar a Laranja Mecânica por 2 a 1.
Mesmo em nível sul-americano, o tabu permanece. Nenhuma seleção que defendia o título da Copa América conseguiu ser vitoriosa logo na próxima edição de Copa do Mundo. Além do feito único dos germânicos e da possibilidade dos ibéricos, por outras cinco vezes um campeão continental chegou à final da Copa do Mundo, porém acabou batendo na trave. A Itália, em 1970; a Alemanha em 1982; a Argentina em 1929; e o Brasil, em 1950 e 1998.
As campeãs asiáticas, africanas ou representantes da Concacaf (países da América do Norte e Caribe) não puderam engrossar a lista, pois nunca disputaram uma final de Copa do Mundo. Atual campeã da Eurocopa/2008 - quando derrotou a mesma Alemanha com gol de Fernando Torres - a Fúria chega embalada para enfrentar a Holanda, no próximo domingo, para demolir de vez o estigma de ‘amarelão’ e entrar para a história como a segunda seleção a protagonizar a ‘dobradinha’.
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Alemanha correu mais que Espanha
Pela primeira vez na história, a Espanha está na final de uma Copa do Mundo. Ontem, a equipe venceu a Alemanha por 1 a 0, mesmo não mostrando ampla vantagem em um fundamento que normalmente ‘massacra’ os adversários: a posse de bola.
Diante dos germânicos, os ibéricos tiveram apenas 51% de posse de bola, contra 49% dos adversários. Nos passes, porém, a Fúria foi melhor: acertou 85% dos 731 toques que tentou, enquanto os tricampeões completaram 75% dos 589 toques. Melhor em campo, Xavi foi o melhor neste fundamento, com 92 acertos de 102 tentativas.
Nas finalizações a Espanha levou vantagem. Arriscou 13 vezes (cinco delas que obrigaram Neuer a trabalhar) contra apenas cinco da Alemanha, sendo que só duas foram contra o gol de Casillas (chutes de Kroos e Trochowski, um em cada tempo). A Alemanha correu mais: foram 111,7km, sendo que o meia Bastian Schweinsteiger sendo o que mais se movimentou, com 12,2km. Do outro lado, foram 109,3km, com Xavi percorrendo 12,3km.
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‘Fizemos um partidaço’, vibra Del Bosque
O treinador da seleção espanhola, Vicente Del Bosque, comemorou bastante a vitória da equipe sobre a Alemanha por 1 a 0, ontem, pelas semifinais da Copa do Mundo.
“Nossa equipe esteve extraordinária. Da defesa ao ataque, fizemos um partidaço”, declarou o técnico após levar a Espanha à sua primeira decisão de Mundial.
“Ainda temos outra partida pela frente e vamos ver se somos capazes de nos sentir à vontade com a bola”, disse Del Bosque, antes de advertir que a “Holanda tem representado muito bem os valores de seu futebol e será um adversário muito difícil”.
O comandante também explicou a troca do atacante Torres pelo jovem Pedro, na escalação inicial, pois o primeiro ainda não conseguiu mostrar seu melhor futebol, e exaltou: “Muitos anônimos trabalharam por essa causa, e nós somos os representantes desse futebol”.
Del Bosque lembrou a tradição esportiva da Espanha como um todo, que ainda possui o tenista Rafael Nadal, o piloto Fernando Alonso, o jogador de basquete Pau Gasol (campeão da NBA com o Lakers), entre outros. “Somos um povo privilegiado com tantos bons nomes ao mesmo tempo. Somos de um país que mudou muito, está inserido na Europa e inserido no mundo.”
O treinador afirmou que a derrota para a Suíça, logo na estreia, serviu para “passarmos a acreditar ainda mais nas nossas características”.
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Decepcionado, Lahm não pensa em 3º lugar
O lateral direito e capitão da Alemanha, Philipp Lahm, mostrou um desapontamento imenso após a derrota dos tricampeões para a Espanha por 1 a 0 nas semifinais da Copa do Mundo da África do Sul. Chateado, o camisa 16 disse até que não tem motivação para a disputa de terceiro lugar deste sábado, às 15h30, contra o Uruguai.
“A decepção é enorme. No primeiro tempo não tínhamos nem coragem para tocar a bola para frente, apesar de não darmos espaços na retaguarda. Depois do jogo de hoje (ontem) eu não tenho nem vontade para o jogo de terceiro lugar”, lamentou o jogador de 26 anos.
O lateral Marcell Jansen, que entrou no segundo tempo no lugar de Jerome Boateng, optou por valorizar o desempenho da Espanha durante o jogo e afirmou que a terceira colocação (pelo segundo Mundial consecutivamente) seria um prêmio para esta jovem equipe. “A Espanha foi melhor. Nós tínhamos que jogar de maneira um pouco mais corajosa, como fora nas últimas semanas. Agora podemos terminar o torneio de maneira razoável no sábado, vencendo”, avaliou o camisa 2 logo após a derrota.