10 de julho de 2026
Internacional

Cuba: Igreja anuncia libertação de presos


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Havana - Cuba começou a liberar cinco prisioneiros políticos a partir de ontem e promete soltar outros 47 em até quatro meses, anunciou ontem a Igreja Católica em Cuba, que mantém desde maio um diálogo com o regime dos Castro sobre direitos humanos no país. Se confirmada essas libertações, elas representarão 31% do total de 167 presos políticos do país. Restarão, portanto, 115.

Será a maior liberação de presos políticos desde 1998, quando Havana liberou 300 presos, entre eles cem considerados “de consciência”, em resposta à visita do papa João Paulo II naquele ano.

O assunto foi tema da reunião entre Castro e Moratinos, cuja visita teve como principal objetivo evitar a morte do dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há mais de quatro meses, e negociar a libertação imediata de outros presos políticos do regime comunista. O chanceler espanhol foi recebido pelo seu colega cubano Bruno Rodríguez duas vezes durante a visita, estima-se que a pressão de Moratinos tenha sido decisiva para a decisão sobre os presos políticos.

Negociações

Esta é a terceira vez que Moratinos visita Cuba para acompanhar a situação dos presos políticos. Em 19 de maio as reuniões já resultaram na liberação de um preso político que estava doente e o traslado de 12 detidos para prisões em suas Províncias.

O chanceler espanhol espera que este gesto cubano permitam convencer a União Europeia (UE) de levantar a Posição Comum que desde 1996 condiciona a relação do bloqueio à Cuba com avanços em matéria de direitos humanos, rejeitada por Havana como uma medida “injusta”, “unilateral” e que se intromete em seus assuntos internos.

ONU

A alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os direitos humanos, Navi Pillay, espera que o governo cubano se posicione quanto ao caso do dissidente cubano Guillermo Fariñas, em estado crítico após mais de quatro meses de greve de fome para exigir a libertação de presos de políticos doentes.

Fariñas divulgou na segunda-feira uma mensagem em que se diz “consciente” da possibilidade de uma morte próxima, pela qual apontou “os irmãos Fidel e Raúl Castro” como futuros responsáveis.

“Consciente do meu falecimento próximo, eu estou, e o considero uma honra pois tento salvar a vida de 25 presos políticos”, aponta Fariñas em mensagem enviada por telefone a seu porta-voz, Licet Zamora, do hospital onde está internado.