10 de julho de 2026
Articulistas

Faxina tem de começar pela CBF

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 2 min

Sempre após um fracasso de nossa seleção de futebol em uma disputa de Copa do Mundo cogita-se e muitas vezes troca-se o treinador. Não foi diferente após a patética participação do Brasil com a seleção do Dunga na Copa da África.

Foi assim desde sempre, exceção feita em 1982 e 1986, quando mestre Telê Santana, mesmo perdendo a Copa da Espanha, foi cha-mado novamente para dirigir nosso selecionado na Copa do México. Bons tempos, bons técnicos, bons jogadores e a manutenção do estilo de jogar esse esporte mantido fielmente por mestre Telê.

A queda de Dunga e o fracasso desta seleção eram questão apenas de tempo, ou melhor, do nosso time enfrentar um bom selecionado pela frente. Bastou jogar contra a boa equipe da Holanda e pronto, nosso time demonstrou toda inaptidão de seu treinador, toda incoerência e a falta absoluta de tranqüilidade de um elenco milionário, estelar, que joga em grandes clubes da Europa.

Mas, infelizmente, cai a comissão técnica e permanecerá o dono da CBF, o senhor Ri-cardo Teixeira que está no poder a míseros 21 anos, devendo completar em 2014 na Copa a ser realizada no Brasil suas bodas de prata à frente da CBF.

Ou seja, nas mãos de um só homem está a administração do futebol brasileiro, milhões em jogo, dezenas de contratos milionários, a venda dos direitos televisivos dos jogos da seleção, a organização de quatro divisões do Campeonato Brasileiro de Clubes, da Copa do Brasil, das liberações e aceites de negociações multimilionárias de jogadores.

Esse homem que se reelege sem oposição a cada nova eleição, com uma facilidade ím-par, deixando sérias dúvidas sobre os verdadeiros motivos que levam esse senhor que nunca foi um desportista a ser guindado a esse magnífico cargo na CBF.

O governo federal, através de seu ministro dos Esportesm vive viajando e se reunindo com Ricardo Teixeira. Ninguém sabe a quem caberia investigar os números, os contratos e enfim a administração dessa entidade. O certo é que essa confederação não sofre uma au-ditoria desde há muito tempo.

São milhões de reais transacionados anualmente. Recentemente a entidade comprou um avião a jato no exterior por aproximadamente R$ 56 milhões. E ninguém fala nada, ninguém se insurge, ninguém desconfia e a aceitação é unânime.

Para mim isso é muito estranho, muito mais do que vê-lo nomear um inepto para ser técnico da seleção, muito mais do que assistir a jogos da seleção de futebol do país apenas na Rede Globo ou na Band com liberação da primeira. Nem os canais da Rede Cultura podem transmitir o nosso selecionado.

Dunga caiu, mas se vivêssemos num país sério quem deveria ter caído há muito tempo seria o senhor dos anéis e não o carregador de bolas.

O autor, Rafael Moia Filho, é colaborador de Opinião