09 de julho de 2026
Geral

Medicina do viajante ainda é tema novo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A medicina do viajante é algo recente, segundo a infectologista do ambulatório do viajante do Hospital das Clínicas e do Hospital Emílio Ribas, Tânia Chaves. “Essa área se consolidou com a existência da Sociedade Internacional da Medicina de Viagem, que se concretizou em 1990. Veio com o aumento dos deslocamentos dos viajantes de áreas industrializadas para as consideradas tropicais, com baixa cobertura de saneamento básico. Era preciso evitar a importação de doenças”, explica.

Mas de acordo com ela, países desenvolvidos também são capazes de transmitir doenças, como o sarampo, registrado em países como Alemanha, Suíça e Inglaterra. “Todos os casos no Brasil são importados ou do Japão, ou da Alemanha ou da África”, comenta. De acordo com Tânia, o turista só deve procurar assistência médica no retorno, caso esteja com algum problema de saúde. Na semana passada, ela atendeu pessoas que vieram do interior da Tailândia e do Camboja.

“Lá tem dengue, malária, diarreias. Em algumas áreas do Camboja, dependendo da época do ano, pode ter uma doença grave chamada encefalite japonesa, transmitida por um inseto. É uma prima irmã da dengue, que acomete o sistema nervoso central”, explica. Os problemas podem acometer principalmente quem visita lugares pobres. É mais raro, no entanto, em roteiros consagrados, como os europeus.

“Mas na área rural de Portugal tem uma doença que pode ser transmitida pelo leite, a brucelose. É difícil de acontecer, mas já tivemos casos”, comenta.

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Cliente de luxo quer ‘novas vivências’

Quem está acostumado às viagens, já se cansou dos roteiros tradicionais e menos convencionais, atualmente tem procurado vivências diferenciadas. “Na Patagônia, por exemplo, tem um hotel voltado ao misticismo. São roteiros de luxo para pessoas que não querem mais apenas conhecer países e a sua história”, explica a executiva de contas da DeGabriele Lufthansa City Center, Juliana Cristina Márcia de Souza.

Ela inclui nesse caso, os grupos que fazem viagens temáticas, como o roteiro bíblico. De acordo com Juliana, o Leste Europeu também tem sido bastante procurado por quem já explorou roteiros tradicionais como Itália, França e Alemanha. Muitos turistas têm procurado conhecer Polônia, Republica Checa, Budapeste e Praga, por exemplo. Outro roteiro que vem se popularizando é o que contempla Grécia e Turquia.

Os tradicionais, no entanto, incluem ainda os Estados Unidos (Disney, Las Vegas e Nova York) no Exterior, além de Nordeste e Rio Grande do Sul, no caso dos nacionais. Na América do Sul, Argentina e Chile. No República Domenicana, a febre atualmente é Punta Cana. Na região do mar do Caribe também tem Cancún, Riviera Maia e Varadero.

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Seguro é obrigatório para entrada de turistas em viagens à Europa

Para entrar na Europa, obrigatoriamente o turista deve ter seguro, segundo a executiva de contas da DeGabriele Lufthansa City Center, Juliana Cristina Márcia de Souza. “Em função do tratado de Schengen. É um acordo assinado entre países da comunidade europeia. O turista tem que comprovar uma assistência a viagens para garantir assistência médica por doença ou acidente”, explica.

Atualmente, o acordo contempla Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Áustria, Portugal, Espanha e Suécia. “Todos os que saem com viagem internacional a gente oferece. Quando é pacote, já vem incluso. É algo que não se pode negligenciar”, diz.

Alguns turistas não compram necessariamente os serviços ofertados pelas agências de viagem porque têm outras opções de seguro, como o oferecido pelo cartão de crédito.

“A gente indica porque o valor é irrisório perante ao valor da viagem. É uma coisa que ninguém quer pensar, mas se acontece, a família tem dificuldade em resolver”, comenta a coordenadora do departamento travel da Agência de Turismo Flytour, Priscila Bombini. De acordo com ela, o seguro inclui até o translado do corpo, em caso de óbito. Já a gerente de viagem da MM Tour, Marcia Villaça, no quesito cuidados à saúde recomenda até moderação no consumo de pratos típicos.

A dica é importante porque nem todos os atendimentos médicos têm qualidade. “Mesmo em clínicas internacionais, a assistência pode ser complicada. Em muitos casos, tem ainda a barreira do idioma.

Recomendo que a pessoa tenha seguro também de transporte para vir de lá para cá num aviação com unidade de terapia intensiva (UTI)”, afirma o infectologista Marcelo Litvoc.