08 de julho de 2026
Nacional

Mesmo sem corpo, elementos podem levar à condenação


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São Paulo - Mesmo sem o corpo da vítima nem a preservação do local do crime, o assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, principal suspeito do caso, pode acabar em condenação.

Novas técnicas de investigação - e depoimentos colhidos pela polícia mineira até o momento - podem ser suficientes para reconstituir o que aconteceu e apontar a autoria do assassinato.

“Uma investigação de homicídio precisa seguir um raciocínio lógico a partir das evidências encontradas. Nunca uma ideia pode vir antes da evidência. O desafio da polícia passa então a ser a definição da autoria, motivo e circunstâncias. Sempre baseada em provas subjetivas e objetivas”, explica o diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo.

No quebra-cabeça que começa a ser montado em Minas, as provas subjetivas são os depoimentos. Dois deles, dados por primos do goleiro, apontaram o local do crime - a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, em Vespasiano -, definiram trajetos, datas e carros usados pelo grupo. Versões que precisam ser sustentadas pelas provas objetivas.

Nesse ponto, avanços tecnológicos e novas técnicas da medicina legal fazem a diferença. “Luzes e reagentes que fazem aparecer vestígios e manchas invisíveis a olho nu, além de testes laboratoriais de DNA e informações fornecidas pelo celular estão entre os avanços”, explica a perita criminal Rosângela Monteiro, do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística.

Provas objetivas já começaram a surgir. O reagente para mancha latente, o luminol, permitiu encontrar sangue na caminhonete Range Rover do goleiro. Um exame de DNA apontou que o sangue era de Eliza. O reagente também ajudou a polícia, na quarta-feira, a encontrar vestígios de sangue no porta-malas do Citroën usado pelo ex-policial acusado de executar Eliza.

Há ainda um vasto caminho a percorrer. No local do crime, no sítio de Bruno - onde Eliza ficou por quatro dias -, nos carros usados para transportar a vítima, luzes forenses podem ajudar a identificar os mínimos vestígios, como fios de cabelo, fibras de roupa, impressões digitais, capazes de confirmar ou derrubar versões. As estações rádio-base de telefone celular podem fornecer horário e bairro por onde passaram os investigados. Quando existem elementos objetivos e testemunhais suficientes, passa-se para a reconstituição do crime. Ponto fundamental por confrontar provas subjetivas e objetivas e por permitir confirmar se a história se sustenta.