• Soro antiveneno de abelha
O Instituto Butantan, ligado à USP, produziu em larga escala pela primeira vez no mundo um soro contra veneno de abelhas. Assim que receber a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto será distribuído por hospitais da rede pública. Os 80 litros de soro começaram a ser produzidos em 2008 e o produto recebeu a patente este ano. O soro é recebido por via intravenosa. Cerca de 20 mililitros (ml) trazem ao corpo uma quantidade de anticorpos capaz de neutralizar 90% dos problemas causados pelas picadas de abelhas africanizadas, as mais comuns no Brasil.
• Proteínas do veneno
O produto foi desenvolvido durante o doutorado da bióloga Keity Souza, no Laboratório de Imunologia, do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Ela identificou todas as proteínas do veneno das abelhas. Paralelamente, a equipe de produção de soros do Instituto Butantan injetou o veneno em cavalos para que desenvolvessem anticorpos, moléculas capazes de neutralizar o veneno. Com os anticorpos retirados dos cavalos, Keity fez testes para checar eficácia do produto e tornar a produção mais eficiente. Ela foi orientada por Mário Palma, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.
• Proteína sanguínea x mal de Alzheimer 1
Níveis elevados de uma proteína sanguínea chamada clusterina estão ligados ao surgimento do mal de Alzheimer, disseram cientistas na última semana, numa descoberta que pode no futuro permitir um diagnóstico precoce da doença. Os pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King’s College, de Londres, disseram que os médicos ainda vão levar cerca de cinco anos para conseguir aplicar a descoberta em um exame que identifique futuras vítimas do Alzheimer. O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando cerca de 35 milhões de idosos no mundo. A doença é pesquisada há décadas, mas os médicos ainda têm poucas armas efetivas contra ela.
• Proteína sanguínea x mal de Alzheimer 2
Existem drogas que atenuam temporariamente os sintomas, mas inexoravelmente os pacientes acabam perdendo a lembrança e a capacidade de cuidarem de si próprios e interagirem com o mundo. A pesquisa usou uma técnica chamada proteômica, que analisa as proteínas, em 95 pacientes. O resultado foi publicado na revista Archives of General Psychiatry. Especialistas preveem que, por causa do envelhecimento da população mundial, a incidência mundial do mal de Alzheimer irá quase duplicar a cada 20 anos, chegando a 66 milhões de pacientes em 2030 e a 115 milhões em 2050.
• Medo de tirar sangue
Começa a ser utilizado pela rede de saúde em São Paulo um aparelho que facilita a coleta de sangue. A técnica é utilizada no Hospital Albert Einstein e em laboratórios como o Fleury. O VeinViewer emite raios infravermelhos, que captam a temperatura do corpo e ressaltam as veias, que são mais quentes. Transformadas em imagens, as informações são projetadas na área a ser perfurada. Para tranquilizar ainda mais o paciente, é possível combinar técnicas. Na rede Fleury, o aparelho é associado a técnicas de relaxamento. A aicmofobia, medo de agulha, costuma ter origens traumáticas.
• Células-tronco de sangue congelado 1
Amostras congeladas de sangue podem ser usadas para a produção de células semelhantes às células-tronco, revelaram pesquisadores, abrindo a perspectiva de que surja uma fonte mais fácil para esse valioso recurso científico. Os cientistas usaram células sanguíneas para desenvolver as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas (ou células iPS, por sua sigla em inglês). São células feitas em laboratório, mas muito parecidas com as células-tronco embrionárias humanas, com a diferença de serem obtidas de tecido comum, e não de embriões. As células iPS vinham sendo produzidas com pedaços de pele, mas o sangue é muito mais fácil de coletar e armazenar, segundo o artigo publicado na revista Cell Stem Cell.
• Células-tronco de sangue congelado
As células-tronco são uma espécie de “manual de instruções” do organismo, permitindo, por exemplo, que adultos façam a renovação do seu sangue e de tecidos. As células-tronco obtidas de embriões de poucos dias têm a capacidade de dar origem a qualquer tipo de órgão ou tecido, e podem se proliferar durante anos em laboratório. Cientistas esperam que as células-tronco no futuro permitam a cura de muitas doenças degenerativas, mas críticos apontam problemas éticos no uso de embriões para pesquisas. As células iPS, que prescindem dos embriões, são feitas pela ativação de três ou quatro genes que distinguem as células-tronco embrionárias. Rudolf Jaenisch, também do Instituto Whitehead, que chefiou a pesquisa, disse que o uso do sangue abrirá muitas perspectivas para pesquisadores que desejam usar células iPS para estudar o modo como as doenças se desenvolvem.