Após permanecer uma semana em Palmares e Barreiros, cidades da Zona da Mata no Pernambuco (PE) destruídas pelas enchentes no final de junho no Nordeste brasileiro (NE), o médico José Eduardo Passos, do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) de Bauru e consultor da Coordenação Geral de Urgência e Emergência (CGUE) do Ministério da Saúde, voltou a Bauru, mas já tem retorno ao Nordeste marcado. Amanhã ele volta à área de catástrofe para dar continuidade à ação do governo federal na região.
Com capacitação voltada para atuação em situações de risco e catástrofes, Passos coordenou a equipe formada por médicos e enfermeiros do Samu Nacional que dão assistência a vítimas da enchente. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele explicou que na primeira semana do desastre natural que desabrigou milhares de famílias nas áreas atingidas em Pernambuco e Alagoas, o trabalho do Ministério da Saúde se voltou ao levantamento da área destruída e no atendimento de pacientes críticos.
“Começamos com ações de avaliação in loco, como verificar o número de municípios atingidos, as unidades de assistência em saúde danificadas e, principalmente, o acolhimento e monitoração das atividades”, observa. Segundo o médico, foram elencados a extensão dos danos à rede de saúde, os causos de trauma e a logística para transportar pacientes internados a hospitais que não foram atingidos pela enchente.
Passos relata que foram 29 municípios pernambucanos afetados, localizados cerca de 130 quilômetros ao Sul de Recife. “Além de atender os casos que continuavam acontecendo, como infartos e os problemas que pudessem acontecer com a equipe de ajuda. Por exemplo, um técnico que auxiliava na recuperação da rede elétrica sofreu uma queda e teve um traumatismo craniano e nós o socorremos”, conta.
Passos observa que a população da região já enfrentava uma rede de saúde básica debilitada, situação agravada pela força da água que destruiu 100 postos do Programa Saúde da Família, derrubou ou danificou 6.000 casas, mais de mil quilômetros de rodovias, 29 pontes, quatro hospitais, e ainda deixou 17,8 mil desabrigados e 25 mil desalojados, além de 12 mortos.
Nesse cenário, o médico conta que a prioridade do Ministério da Saúde foi o transporte de pacientes em estado crítico que estavam internados em unidades da região para outros hospitais. “Assim, também aumentamos o fluxo de atendimento nessas unidades”, observa. Foram montados hospitais de campanha do Exército, em Palmares, e da Aeronáutica, em Barreiros. Unidades do Samu foram deslocadas a esses hospitais, para auxiliar o atendimento.
Passada a fase emergencial da assistência, Passos explica que o foco da ação mudou. Agora, a equipe faz o atendimento ambulatorial dos atingidos pela tragédia. Também há o trabalho de busca ativa. Os médicos vão até os alojamentos e abrigos, avaliar as condições de saúde da população. “É iniciado o tratamento em casos indicados e os pacientes que são mais suscetíveis são levados às unidades de referência”, explica.
Segundo Passos, a Coordenação Geral de Urgência e Emergência convocou médicos voluntários para atuar na região. A expectativa é que uma equipe trabalhe durante sete dias nas áreas atingidas, para em seguida, dar lugar a um novo time.
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Profissional conta drama da população
Nesta terça-feira, o médico José Eduardo Passos volta às cidades atingidas. Agora, o atendimento será preventivo. “As medidas são voltadas à prevenção e controle de doenças hídricas e respiratórias, como leptospirose, hepatite, diarreias e, pela aglomeração de pessoas em abrigos, pneumonias, meningites meningocócicas e até acidentes peçonhentos”, explica o especialista.
Passos avalia que a principal dificuldade é a maneira como atender a população, que já sofria com rede precária. Foram distribuídas 30 mil cartilhas de orientações sobre enchentes, como não utilizar água da chuva para a alimentação e também para nadar, não consumir alimentos com odor ou aparência questionáveis. “Já era uma região carente e a abordagem e atenção deve ser mais completa”, observa.
Na semana que passou nas áreas atingidas, Passos conta que algumas cenas foram marcantes. O médico conta que, em um hospital de Palmares, os funcionários conseguiram conduzir alguns pacientes críticos até o telhado, por um buraco no forro. Enquanto a água subia e a enxurrada atingia os muros da unidade, crianças e pacientes renais crônicos passaram a noite a espera de socorro. “Eles ficaram mais de 12 horas aguardando o resgate chegar”, conta.
Também impressionou o médico, a capacidade de superação da população. “É um povo diferenciado. A cada momento encontravam mais forças para seguir reconstruindo suas casas e não demonstravam a intenção de deixar a cidade”, lembra. Passos volta ao Pernambuco nesta terça-feira e permanecerá mais 10 dias nas áreas afetadas.
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Ações ainda buscam auxílio a vítimas
A tragédia provocada por enchente no Nordeste (NE) continua gerando ações de solidariedade. A Paróquia Sagrada Família arrecadou mais de 200 caixas de roupas e utensílios, além de uma tonelada de alimentos, que serão encaminhadas ao ponto de coleta dos Correios em Bauru, que enviará os produtos para Alagoas.
A comunidade do Jardim Marambá reuniu mais de 6.000 peças de roupa, artigos de cama, mesa e banho, travesseiros, brinquedos e calçados. Material de limpeza, de higiene pessoal e alimentos somaram pouco mais de mil quilos.
Também sensibilizados pela tragédia, o empresário Dalmo José de Barros Júnior, que dirige a casa noturna GLS Friend’s Club, iniciou a ação voluntária “GLS pelo Nordeste”, com o objetivo de arrecadar doações para as vítimas das enchentes no Nordeste.
No próximo dia 17 (sábado), a casa noturna receberá o DJ Feeling e quem quiser contribuir com a campanha pode doar um quilo de alimento não perecível na entrada do evento. Toda a arrecadação será enviada por meio dos Correios. A casa noturna fará a entrega de toda a arrecadação no dia 19 de julho. A expectativa dos organizadores é reunir meia tonelada de alimentos. A Friend’s Club está localizada na rua Antônio Alves 19-47, Altos da Cidade.
Os Correios estão centralizando as doações às vítimas do Nordeste. As doações podem ser levadas à agência central dos Correios em Bauru, localizada na Praça Dom Pedro II, 4-55. A empresa pede que os produtos sejam embalados em pacotes que pesem, no máximo, 30 quilos. Além disso, a assessoria dos Correios ressalta que não sejam utilizados pacotes frágeis, que possam se romper durante o manuseio ou transporte.