10 de julho de 2026
Nacional

Voo para Paris realiza pouso forçado em Recife após ameaça de bomba

Fábio Guibu e Giuliana Miranda
| Tempo de leitura: 2 min

Recife - Os passageiros do voo 443 da Air France, que fez um pouso não programado em Recife na madrugada de ontem por ameaça de bomba a bordo, foram revistados e interrogados pela Polícia Federal ainda no aeroporto e questionados sobre sua religião e a existência de parentes no Oriente Médio.

“Passamos pelo raio-x, abriram nossas bagagens de mão e perguntaram para onde iríamos, quanto tempo ficaríamos, sobre a nossa religião e se tínhamos parentes no Oriente Médio”, afirmou ontem o aposentado Odilon Gama, 52 anos, que viajava no avião com a mulher e a filha.

De acordo com informações da PF, perguntas sobre religião e relações com o Oriente Médio fazem parte do procedimento padrão nesse tipo de caso. O aposentado disse que a operação envolveu cerca de 30 policiais e foi feita em um recinto especialmente destinado aos 405 passageiros e 18 tripulantes da aeronave da Air France.

O Boeing 747, que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, foi vistoriado, mas nada foi encontrado. A nova decolagem estava prevista para as 20h10 de ontem. “Parecia cena de filme”, comparou Gama. “O avião saiu do Rio às 16h30 e pousou em Recife às 20h, sem ninguém saber o que estava acontecendo”, afirmou.

A aeronave, contou ele, ficou parada em uma área isolada do aeroporto, “cercada por carros de bombeiros, ambulâncias e policiais”.

Ambiente Tenso

Durante o voo, disse Gama, tudo parecia normal. “Já haviam servido o jantar, quando o comandante anunciou que retornaria a Recife, em manobra que levaria 32 minutos. Ninguém explicou nada, não teve histeria, mas o ambiente ficou tenso.”

“Nessa hora, passou tudo pela minha cabeça: bomba, sequestro e, principalmente, o acidente com o Airbus da Air France”, disse Gama, referindo-se ao avião que fazia a mesma rota e caiu no oceano com 228 pessoas a bordo, em maio do ano passado. A causa do pouso, afirmou, só foi anunciada pelo comandante quando todos já estavam na sala de embarque internacional para a revista e entrevista.

“Ele disse que a denúncia foi recebida uma hora e meia após a decolagem, mas não explicou por que demorou tanto para descer”, afirmou o aposentado. Os passageiros permaneceram no aeroporto até as 3h de ontem, quando foram levados para hotéis de Recife e Ipojuca. Gama e sua família farão conexão em Paris, com destino a Roma.

De acordo com a PF, o alerta de bomba surgiu após uma ligação anônima para o aeroporto do Galeão, no Rio, por volta das 18h30. Uma voz feminina contou que haveria explosivos na aeronave. O piloto foi avisado pelo rádio.

Ontem, a Air France, que não tem escritório em Recife, enviou seis funcionários à cidade para auxiliar os passageiros. A companhia informou que as pessoas que preferiram desistir da viagem ou remarcá-la receberão todo o suporte da empresa.