Taxistas se reuniram ontem na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para reivindicar mais segurança nos pontos de táxis da cidade que são alvos de assaltos. O encontro - que contou com a participação da 4ª Companhia da Polícia Militar de Bauru e do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região - teve pouca receptividade da categoria, já que não havia nem meia dúzia presente.
Com base nas discussões geradas no encontro, a 4ª Companhia da PM determinou que as viaturas policiais deverão abordar os motoristas de táxi em locais variados, com intuito de garantir fiscalização. O sindicato disse que também estuda a possibilidade de implantar um sistema de radio táxi, com o objetivo de fortalecer a comunicação e facilitar a ajuda mútua entre os profissionais a fim de evitar delitos.
Durante o evento, a Polícia Militar procurou informar à categoria características do perfil de crimes geralmente cometidos contra taxistas, além de fornecer dicas de prevenção contra roubos.
De acordo com o capitão Paulo César Valentim, os motoristas precisam ter mais unidade e estabelecer um sistema de comunicação entre eles. “Uma simples comunicação poderia evitar diversos roubos”, afirma.
“Ocorrem casos em que um indivíduo suspeito solicita uma corrida, é dispensado por um taxista, mas consegue convencer outro motorista, do mesmo ponto, a realizar a corrida. Se os taxistas formassem uma rede de comunicação entre eles, isso poderia ser evitado”, exemplifica Valentim.
Em relação à troca de informações, o sindicato divulgou que pretende criar uma comunicação via rádio entre os motoristas. A entidade também elaborou um manual contendo dicas de segurança para os taxistas.
Desunião
A “desunião” aparente dos profissionais serve de entrave à reivindicação por melhorias. “A categoria é desunida, não colabora para que possamos combater essa violência contra os taxistas de maneira mais contundente”, atesta o presidente da entidade em Bauru, Vitor Faleão.
“A polícia precisa de dados para estabelecer estratégias de combate a crimes contra os taxistas. Acontece que a maioria não colabora na hora de registrar um boletim de ocorrência (BO), por exemplo”, ressalta Faleão.
Segundo ele, ocorre uma média de três assaltos contra taxistas por mês, mas a maioria dos casos não é levada à polícia. No ano passado, apenas nove ocorrências desse tipo foram registradas, de acordo com dados da 4ª Companhia da PM.
“Elaboramos 600 questionários com o objetivo de levantar os pontos mais críticos e também ouvir a opinião dos profissionais, mas foram devolvidos apenas 35 formulários respondidos”, reforça Faleão. O presidente disse ainda que ajudaria a intimidar assaltantes se um posto policial fosse construído no Terminal Rodoviário, ponto considerado crítico pela categoria.
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Terminal Rodoviário
Sobre a solicitação do Sindicato dos Taxistas de que um posto policial seja instalado no Terminal Rodoviário - ponto considerado crítico em termos de segurança -, capitão da 4.ª Companhia da PM, Paulo César Valentim, acredita que o policiamento não evitaria os roubos, tipo de crime que mais atinge a categoria.
“Posso colocar uma grande quantidade de viaturas em pontos considerados críticos, mas isso não vai resolver”, diz. A maioria dos roubos acontece, segundo a PM, durante o trajeto da corrida ou no local de destino em que o passageiro é despachado.
“É preciso ficar atento à apresentação pessoal do indivíduo que solicita uma corrida, averiguar o local de destino, se o cliente possui dinheiro para pagar a corrida, entre outras orientações”, sublinha Valentim.
Para a PM, está cada vez mais difícil reconhecer os assaltantes, mas há casos que podem ser evitados com simples dicas de segurança. Como estratégia, o capitão Valentim também determinou que irá solicitar a viaturas policiais para que abordem os taxistas em locais variados durante seu percurso de trabalho.
“Queremos estabelecer mais contato com os motoristas durante o percurso de uma corrida. Vamos pedir aos policiais que, sempre que se depararem com um táxi, abordem o taxista a fim de averiguar se está tudo sob controle”, afirmou.
“É difícil se prevenir hoje em dia, os assaltantes estão cada vez mais disfarçados”, diz o taxista Marcílio João, 62 anos. “Mas as dicas de segurança nos ajudam a ficar mais atentos”, comentou o motorista durante a reunião.