Li no Jornal da Comunidade, 16/4/2010, a nota de esclarecimento de V.Sa. emitida em resposta ao folheto anônimo que foi distribuído na cidade. Nela, nada disse dos encostos políticos, nem da verba aplicada na festa do peão, da qual ainda não prestou contas; nem do nepotismo e nem dos concursos públicos que deram o primeiro lugar para sua esposa e depois para sua filha. Sobre estes assuntos, saiu pela tangente.
Do esclarecimento são importantes as passagens em que diz: “Acho saudável porque é justamente na divergência de opiniões que se constrói a democracia”; “Por fim, quero dizer a todos que, não tenho nenhum problema em esclarecer as dúvidas e questionamentos da população no que diz respeito às minhas ações como prefeito municipal...”. O quê? É isto mesmo?
Estou pensando: “Então, para um manifesto anônimo V.Sa. vem com essa lenga-lenga de que “não tem problema em esclarecer dúvidas”, mas para uma carta que foi assinada e com RG citado, o sr. Prefeito não dá nenhuma resposta, apenas vai ao Fórum e move uma queixa contra mim por tê-lo comparado a uma raposa? Mas tudo que eu disse na carta era verdade, tanto que V.Sa. não se dispôs a ir ao Fórum no dia do julgamento: e eu fui; e nem se dispôs a rebater a acusação.
E ali, tudo foi do seu 1º mandato de prefeito: uma gestão impossível de ser esquecida, pelos atos nefastos que afundaram a prefeitura municipal, deixando-a a ponto de seu sucessor, o saudoso Geraldo P. da Silva, ter afirmado que o sr. decretara a falência da prefeitura de Piratininga.
Naquela gestão: o sr. ficou devendo três anos para o INSS. O desconto foi efetuado nos pagamentos dos funcionários, mas a verba não foi repassada ao INSS. Depois, para não ter mais que pagar ao INSS, V.Sa. fundou a Previdência Municipal, e para esta durante todo o resto de mandato, V.Sa. descontou dos funcionários e não repassou a verba para a entidade; as duas dívidas foram parceladas em 120 cotas mensais. Seriam precisos cinco prefeitos para pagá-las. E eu fui um deles. Quatro anos sem recolher um vintém aos cofres das entidades! Onde foi parar esse dinheiro? Uma explicação até que seria bom, não é sr. prefeito? E ainda sobrou uma dívida com o INSS, cuja cobrança veio na atual gestão. De quanto é esta dívida?
Além disso, V.Sa. construiu um grupo escolar, que não foi terminado mas dado como tal junto à Secretaria de Estado, por isso, os seus sucessores imediatos: o sr. Geraldo P. da Silva, eu, e, pasme, nem V.Sa., em seu 2º mandato, não conseguiram terminá-lo! A construção só foi acabada com a mudança do fim a que se destinava – de Grupo Escolar para Centro de Saúde -, na gestão de Silvia Motta Mendes. Hoje esse Centro de Saúde leva o nome de sua falecida esposa, ela que nada vez para a saúde local.
E as suas contas foram rejeitadas pelo T.C. do Estado (gente que entende), e tal parecer foi recusado pela Câmara local (gente que não entende), onde V.Sa. tinha maioria, e esta votação foi saudada, na época, por V.Sa. e seus asseclas, com uma bateria de rojões.
Em 11/5/1995, fiz queixa, publicada no Jornal da Cidade desse dia, de que “V.Sa. tinha sido um ex-prefeito corrupto”, e minha acusação foi recheada de provas: compras irregulares de materiais de construção, de carne, de combustível em posto situado em Domélia, a 40km de Piratininga.
Em 22/10/1998, o JC publicou que V.Sa. foi exonerado da Cohab-Bauru, onde estaria exercendo um cargo fantasma, recebendo a bagatela de Cr$ 3.569,73 (meu salário na época era de R$ 2.288,32, carga total de aulas, como Professor Secundário Efetivo).
Em 10/2/1999 - o JC publicou que V.Sa. foi indicado para servir à Sub-Delegacia do Ministério do Trabalho, por indicação de um deputado, em substituição a Sérgio Branco. E no dia 18/2/1999, publicou que sua posse corria risco de não se efetivar, pois, 15 sindicatos se posicionaram contra sua nomeação e estavam dispostos a invadir a Sub-Delegacia do Ministério do Trabalho, para impedi-la. E Sérgio Branco foi mantido no cargo.
No 2º mandato, me sucedendo, V.Sa. recebeu a prefeitura de minhas mãos com todas as minhas contas pagas. E V.Sa. afundou a prefeitura mais uma vez; e as contas foram rejeitadas novamente e o parecer do T.C. (gente que entende) foi aprovado pelos vereadores. Mas dois deles, que se reelegeram, “mijaram para trás” nos seus pareceres, possibilitando sua candidatura. Uma pergunta ficou no ar: o que os teria levado às mudanças de opinião? V.Sa. não dispunha de vereadores para o defenderem na Câmara? É o caso da mulher de César: “Não basta ser honesta; é preciso parecer honesta”.
Por essas e outras eu afirmo que: “na minha opinião, o seu conceito está mais sujo que pau em poleiro de galinheiro”, e a acusação da raposa fica de pé.
Todos os fatos são reais; julgo importante sua contestação. Se há alguma explicação a ser dada, sempre é tempo.
Armando Persin