Estou aqui para representar todos os pais que possuem filhos na creche. Eu estou indignada com as opiniões de alguns leitores, pois a creche não deve entrar em férias, as crianças têm direito a descanso, sim, com certeza, mas em se tratando da situação em que vivemos hoje em dia, é bem difícil. Vou ser um pouco mais clara: hoje em dia quem é arrimo de família é a mulher. As mães hoje têm que trabalhar para trazer o sustento para dentro de casa (como é o meu caso e de muitas outras mães). Lógico que todas nós preferimos ficar com nossos fi-lhos a trabalhar, mas isso se torna impossível de acontecer porque ou trabalhamos ou passamos fome. Eu faço uma pergunta: o que é melhor, deixarmos nossos filhos passarem fome ou ficarmos com eles?
As creches dizem que a criança tem que ter um tempo de descanso, um tempo com a família. Concordo plenamente, mas na prática é bem menos poético. É difícil trabalhar e se concentrar no serviço se você não tem onde deixar seu filho, é isso que acontece quando as creches entram em férias. Muitas mães não têm realmente onde deixar seus filhos nas férias escolares. Eu vejo no meu bairro, onde muitas pessoas deixam seus filhos sozinhos em casa, à mercê deles próprios, muitas crianças ficam na rua, e isso é um prato cheio para a marginalidade. Em se tratando do lugar onde se vive, eu pergunto: o que vai acontecer com essas crianças? Pois é, os professores e auxiliares estão realmente preocupados com as crianças?
A realidade que vivemos na periferia é bem diferente da realidade deles. Aqui o crime mora ao lado e não pede licença para entrar. E isso é uma consequência de mães que dão duro todos os dias e não têm onde deixar seus filhos, que se ficam em casa sozinhos caminham direto para a marginalidade. É muito fácil falar: "as crianças têm que ter um tempo com a familia". Mas onde está a família? Trabalhando para não faltar o leite, o pão...
Isso é a realidade da periferia e do país. Se se o governo não der o mínimo de suporte, que na minha opinião, de início são as creches, aí ficamos à mercê da proópria sorte...
Andrea Aparecida Pinto Vitorin