11 de julho de 2026
Geral

CPFL encontra um ‘gato’ por dia na rede elétrica de Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Somente nos primeiros seis meses do ano, a CPFL Paulista flagrou 180 “gatos” (modo como são popularmente conhecidas as ligações clandestinas de energia elétrica) em residências e estabelecimentos comerciais e industriais de Bauru. O furto estimado é de cerca de 90 megawatts, quantidade suficiente para abastecer cerca de 300 famílias durante um mês inteiro.

No período, a empresa inspecionou 2.700 residências. O número, no entanto, está abaixo das médias semestrais pela necessidade de interrupção nas fiscalizações, no mês de abril, devido a alterações no sistema de informática da concessionária. A expectativa é totalizar o ano com mais de 6 mil inspeções realizadas.

Segundo o gerente de recuperação de energia da CPFL, Ronaldo Borges Franco, a região de Bauru está entre as que menos apresenta problemas com ligações clandestinas de energia no Interior do Estado de São Paulo. Um ranking com índices de perda aponta que as regiões de Bauru e Marília representam uma probabilidade de fraude de 4,1%.

Já Campinas é a campeã, com estimativa de 5,7% de clientes furtando energia. “A alteração entre uma região e outra não é muito grande. São números muito próximos, mas Bauru está entre as que menos fraudam a CPFL”, pontua o gerente.

Um exemplo de “gato” foi flagrado pela reportagem do JC nesta semana na favela do Jardim Europa, onde há um aglomerado de postes de energia, com dezenas de fios emaranhados. Os moradores explicaram que a grande maioria deles paga corretamente as contas de energia, e que a instalação atípica foi necessária porque a área onde vivem é irregular e não pode receber benfeitorias públicas.

“Como as casas não foram regularizadas, a CPFL instalou os postinhos a 300, 400 metros de distância, onde podia instalar. Por isso ficaram todos juntos, num mesmo lugar. Mas todo mundo paga a conta, embora muitos reclamem que a luz chegue fraca dentro de casa”, contou uma moradora, que preferiu não se identificar.

Fraude sofisticada

A falta de relógios medidores em grande parte dos postes revela que dificilmente a energia usada por eles está sendo totalmente contabilizada. “À exceção de postes de iluminação pública e semáforos, todos os pontos de energia precisam ter medidor. Neste caso específico, trata-se de um problema social mais complexo, coletivo, que precisa ser solucionado por vários atores e, inclusive, com a participação dos programas desenvolvidos pela CPFL”, diz Franco.

Mas, contrariamente ao que se possa imaginar, não são apenas os moradores de residências construídas em áreas irregulares que costumam instalar “gatos” em Bauru. Conforme revela o gerente, as fraudes são detectadas em todos os pontos da cidade, sendo a maioria delas em imóveis residenciais, 10% em estabelecimentos comerciais e 1,5% em indústrias.

“Muitos clientes, inclusive, tentam esconder o desvio de energia elétrica dentro de paredes revestidas de concreto, ou alterando os medidores com configurações específicas”, conta.

Por esse motivo, as equipes da CPFL costumam sair a campo com um ferramental moderno de inspeção, que inclui desde equipamentos de radiofrequência até sondas microscópicas, como as utilizadas em cirurgias hospitalares. “Também contamos com um software que faz análises semi-automatizadas, apontando curvas de consumo de todos os clientes da empresa.”

Quando o “gato” é constatado, a concessionária pode suspender de imediato o fornecimento de energia. Normalmente, o consumidor é notificado por carta sobre os valores devidos e poderá apresentar recurso em um prazo máximo de dez dias. Vale lembrar que furto de energia elétrica é crime previsto no Código Penal, cuja punição pode ir de um a oito anos de prisão.