08 de julho de 2026
Nacional

Ação pode cassar candidatura de Dilma

Folhapress
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Brasília - A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que apura se Luiz Inácio Lula da Silva usou a máquina pública em favor de Dilma Rousseff, diz que houve abuso do poder político e econômico e que isso pode levar à cassação de sua candidatura.

Lula havia elogiado sua candidata ao Planalto durante evento oficial de lançamento do edital do trem-bala, anteontem, atribuindo a Dilma os méritos do projeto. “A verdade é que a companheira Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV (trem-bala), e foi ela que cuidou, junto com a Miriam Belchior, junto com a Erenice (Guerra). Não podemos negar isso”, disse Lula.

Sandra Cureau abriu procedimento administrativo para investigar o caso e requisitou vídeos do evento. Fazendo a ressalva de que falava em tese, Cureau afirmou que “é um caso de abuso de poder político em prol de uma candidata determinada. É abuso de poder político, sem dúvida, e incorre em abuso de poder econômico, já que é feito às custas do erário. Vou analisar as provas e se for o caso entro com ação de investigação judicial eleitoral”, afirmou.

Segundo ela, a ação “pode gerar a cassação do registro de candidatura da candidata”: “Até porque a jurisprudência do TSE já está pacificada no sentido de que se há um candidato beneficiado pelo mau uso da maquina pública na verdade não é necessário a participação direta desse candidato no ilícito”.

“É absolutamente proibido, nessa época do ano, que em inaugurações se faça propaganda para um candidato. É uso da máquina pública” disse: “Antes era caso de propaganda extemporânea. Agora é caso de abuso de poder político, uso da máquina. Agora é uma situação mais grave que a anterior”.

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, discorda da procuradora: “O que o presidente fez foi registrar que, no resultado de um trabalho de seu governo, a ministra teve participação. Ele, inclusive, não citou apenas ela, mas outras pessoas que também participaram”.

Segundo Adams, em nenhum momento o presidente pediu votos para Dilma, nem mesmo de forma subliminar.

O evento era transmitido pela TV estatal NBR, o que para Cureau, “é mais um agravante”. No dia seguinte, o presidente pediu desculpa, mas voltou a elogiar Dilma.