10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bauru bate recorde de emprego formal

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério de Trabalho, Bauru gerou 4.867 novos empregos somente no primeiro semestre deste ano, uma média de aproximadamente 27 empregos por dia.

Desde que o Caged iniciou o banco de dados, há 11 anos, o índice apresentado nos seis primeiros meses de 2010 foi o melhor, batendo os números apresentados em 2008 - o segundo melhor do período -, que correspondem ao saldo positivo de 3.234.

O principal responsável pelo bom resultado é o setor de serviços, com a abertura de 2.794 novos empregos, mais da metade do total. Logo em seguida aparece a área de construção civil, com 1.101. As indústrias de transformação e o comércio aparecem com, respectivamente, 500 e 410 novas oportunidades geradas de janeiro a junho deste ano.

Para o economista Reinaldo Cafeo, o setor de serviços tem se destacado justamente pelas grandes empresas que se instalaram em Bauru. “Coloco como principal atividade da cidade as empresas de recuperação de crédito. Dentro delas está o próprio telemarketing. Não aquele tradicional, usado para vender produtos. Agora é a prática de cobrança. Algumas dessas empresas, quando fecham um contrato, acabam admitindo cerca de 500 pessoas de uma vez”.

Uma dessas empresas é a Nelson Paschoalotto (NP). A gerente de recursos humanos do grupo, Gabriella Casério, afirma que foram geradas somente este ano na empresa 1.200 novas vagas, ou seja, quase 50% do total no setor.

Ela acredita que a causa do crescimento da área de serviços em Bauru seja justamente o perfil da população. “As pessoas do interior, como é o caso de Bauru, são mais calmas e relaxadas. Prestar serviço é oferecer algo e ter contanto com alguém. E isso funciona quando o funcionário não está estressado. Para mim, as empresas percebem isso. Percebem que as pessoas daqui são mais calmas e podem atender melhor o público”, complementa.

Porém, para Reinaldo Cafeo a tendência é que, no próximo semestre, os números de Bauru não superem os atuais. “Os índices comparativos são muito altos. Acho difícil superar o crescimento que teve agora. Acredito que possa acompanhar o mercado nacional, porém, não deve superar isso”.

Construção civil

O economista ainda atribui à construção civil parte fundamental no bom índice de empregos formais gerados na cidade. O setor necessita de bastante mão de obra e, para ele, a renda relativamente elevada do bauruense e as linhas de crédito dadas pelo governo estimulam a população a construir e, consequentemente, a impulsionar o setor.

Entretanto, este grande crescimento na área de construções também pode ser visto como uma compensação de poucos investimentos no passado. “O setor das construções teve um atraso em anos anteriores. Isso ocorreu pelo próprio fato da cidade não investir tanto. Nos últimos dois anos, o setor está correndo atrás disso, gerando facilidades e lançamentos”, completa Cafeo.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Richard Vendramini, acredita que a área realmente está crescendo, tanto que até falta mão de obra. “Temos muitas obras na cidade. Tanto da prefeitura, quanto de empresas. E isso se reflete nos empregos. Hoje, encontramos dificuldades para achar mão de obra qualificada para construções. Para quem está desempregado, esse é um ramo que vale a pena procurar”, afirma.

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Os números do comércio

Pelo fato de Bauru ser conhecida como um polo comercial, apenas a quarta posição do setor de comércio na geração de novos empregos de janeiro a junho deste ano pode parecer contraditória. Porém, o economista Reinaldo Cafeo explica que o tipo da atividade é o que conduz o nível de contratação. No primeiro semestre do ano, o saldo de vagas no setor - diferença entre contratações e desligamentos - foi de 410, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério de Trabalho

“O setor do comércio contrata mais lentamente. A reposição de mão de obra e a contratação em contingente são feitas de maneira mais lenta. E os próprios resultados do semestre apontam isso”, afirma. Ele ainda compara o comércio com o setor de serviços para elucidar a grande diferença numérica na geração de novos empregos. “No comércio, a pessoa tem um estabelecimento de dez funcionários. Se o negócio cresce, ela contrata, em média, mais duas pessoas. Já no serviço, não. Se uma empresa de recuperação de crédito fecha um novo contrato, ela contrata 400 ou 500 pessoas”, finaliza.