Com essa frase desesperada, milhares de pessoas moradoras no litoral dos estados dos sul dos EUA, banhados pelo mar do Golfo do México, expressaram o seu desalento diante do mais grave acidente ecológico envolvendo derramamento de petróleo. Um acidente desse tamanho já era esperado, pois durante todo o governo George W. Bush não houve fiscalização válida sobre as indústrias de petróleo já que o presidente era e é dono da quinta maior empresa de petróleo do mundo, permitindo que pessoas com interesses petrolíferos fizessem parte do governo federal dos EUA no Serviço de Gestão Minerais (MMS) sendo o órgão mais corrupto dos últimos anos nos EUA.
Como se não bastasse, o atual presidente dos EUA, Barak Obama, permitiu que essas pessoas se mantivessem no cargo sob a direção de Ken Salazar mantendo o esquema de proteção das petrolíferas, que para baixar os custos de produção não tomaram certas precauções mínimas em perfurações de grande profundidade, inclusive retirando a lama dos poços que protege contra explosões, mas interfere na quantidade de petróleo extraído. O presidente queria “trocar” facilidades na exploração de petróleo por adesão ao protocolo do clima (Revista Rolling Stone – Julho de 2010 - Petróleo no Mar).
Além desse desastre administrativo, empresarial e técnico o que se pergunta é se os norte-americanos, nós, brasileiros, e o mundo inteiro estão interessados em evitar desastres ambientais provocados pela voracidade corporativa por um estilo de vida baseado em novos padrões de consumo de mercadorias e de energia.
O que não percebemos, até por não termos informação, é que o nosso estilo de vida é suicida e que para mantê-lo é necessário o consumo dos recursos do planeta de forma impiedosa sendo necessário vários planetas em recursos naturais para manter-se o consumo de pouco mais de 1 bilhão e alguns milhões de pessoas, sacrificando o restante da humanidade.
Estamos em uma encruzilhada civilizatória (afinal, quando a nossa espécie não esteve?) de dimensões épicas, pois a maioria das pessoas coloca todas as suas esperanças na ciência e tecnologia esquecendo que elas são produzidas pelas mesmas pessoas que não tiveram escrúpulos para causar esse bárbaro acidente que agora vemos. É lógico que não podemos e não devemos abrir mão dos avanços da ciência e da técnica. Mas temos que entender que para sermos felizes, completos, solidários, participativos uma nova humanidade deve nascer, senão perguntaremos sempre, a cada desastre ecológico de magnitudes épicas, como os nossos irmãos do norte: “Queremos nossas praias de volta”. Será que aceitamos o desafio de mantê-las limpas e saudáveis para nos mesmos e para as futuras gerações?
O autor, Fábio Pallota, é professor de história do Colégio Fênix e colaborador de Opinião