Crítico com boa dose de humor. Foi assim que o jornalista Antônio Bueno dos Santos, o Broncolino, defendeu, diariamente, seus pontos de vista por quase 40 anos na imprensa bauruense. No próximo dia 20, terça-feira, somam-se 10 anos desde a perda do comunicador, morto aos 77 anos, em consequência de um infarto.
Um apaixonado pelo jornalismo, o profissional assinou a coluna “Broncolino, o primeiro a rir das últimas” no Jornal da Cidade por 33 anos. Mas, antes mesmo do nascimento do JC, já dava suas alfinetadas no jornal “A Verdade”, revista “Realce” ou no “Jorbron” (Jornal do Broncolino), além de ter trabalhado em programas na antiga rádio PRG8 e na TV Bauru.
“O jornalismo era a vida dele, ele amava o que fazia. Na verdade, meus avós não queriam que ele fosse jornalista porque na época era visto como uma profissão de uma pessoa muito boêmia, mas ele lutou para ser jornalista até o final e conseguiu”, recorda uma das filhas de Broncolino, Valéria Garbelotti. Entre as lembranças marcantes que ela guardou do pai foi a forma como o jornalista se apaixonou pelo computador. “Imagina depois de tantos anos escrevendo naquelas máquinas antigas ele descobre o computador. Isso foi para ele uma espécie de brinquedo”, conta.
A ironia no tom certo é, para Garbelotti, o principal legado do pai. “Ele foi um autodidata. É difícil alguém substituir o trabalho que ele fazia, sua genialidade e ironia na medida certa. A coluna era sarcástica, engraçada e, ao mesmo tempo, séria, investigativa, questionadora”, comenta. Amigo e admirador do trabalho do jornalista, o professor Muricy Domingues sente falta da forma como Broncolino comentava a vida cotidiana.
“O Toninho caprichava no humorismo e fazia isso usando a própria cidade. E eu gostava muito da maneira com a qual ele fazia seus comentários, finamente”, resume sobre o jornalista que produziu até seu último dia de vida. Escrita no dia de seu falecimento e publicada na data seguinte, uma coluna sobre a violência em Bauru foi a última deixada por Broncolino. “Durante todo o tempo que meu pai exerceu o jornalismo, se você reunir todos seus textos terá a história de Bauru contada através de seus olhos”, finaliza Garbelotti.