10 de julho de 2026
Bairros

Tradições milenares: um presente do Japão a Bauru

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 17 min

Por estar localizada no coração do Estado de São Paulo, inevitavelmente Bauru se tornou uma cidade composta por uma miscelânea de imigrantes. Mesmo que imperceptíveis à primeira vista, por conta da diferença mínima na aparência, portugueses, italianos e espanhóis diariamente circulam pelas ruas e se confundem com os habitantes natos do município.

Porém, entre essa massa homogênea que constrói apressadamente a história da Cidade Sem Limites, é impossível não notar a presença da colônia japonesa que, além de muito expressiva na cidade, confere um toque especial à rotina do município devido à sua aparência singular e à sua cultura e tradições milenares.

As diferenças começam pela aparência: eles têm os olhos puxados, os cabelos muito negros e a pele amarela. Quanto ao comportamento, são tímidos, rigorosos, apegados às tradições. Também primam pelo respeito e pela disciplina. Alguns têm bastante dificuldade para falar o português correto e quase todos fazem o máximo para fugir de entrevistas.

É verdade que tantas diferenças existentes entre os japoneses e os povos ocidentais só fizeram acentuar o amor da colônia pela terra natal e a necessidade de preservar costumes. Quando o navio Kasato Maru ancorou no porto de Santos e os primeiros japoneses desembarcaram em terras brasileiras não estava no plano dos nipônicos permanecer no Brasil por mais de 10 anos.

“Na época, corria uma propaganda no Japão de que aqui no Brasil era possível enriquecer muito rápido. Diziam que aqui existia diamante negro. O governo incentivava a vinda dos japoneses. Era plano dos imigrantes ficar no País somente até ganhar uma boa quantia de dinheiro. Quando chegaram aqui é que descobriram que, na verdade, o diamante negro era o café e só enriquecia os donos de fazenda”, explica Paulo Matunobu, filho de imigrantes e um dos diretores da Igreja Tenrikyo de Bauru.

Em Bauru, os primeiros nipônicos chegaram em 1914 e foram distribuídos por fazendas da região. Voltaram a morar na cidade algum tempo depois, quando perceberam que não estavam ganhando o suficiente trabalhando como funcionários nas lavouras.

Instalados no município, sentiram a necessidade de ficar próximos de seus conterrâneos e buscaram aproximar suas atuais condições ao modo de vida que desfrutavam no Japão. Aos poucos, o resultado desta união e busca por conservação de raízes apareceu como forma de contribuição para a cidade que, mesmo sem intenção, tiveram de adotar.

“Muitas coisas existentes em Bauru foram fruto do empenho dos japoneses. Dentre elas a Associação Nipo-Brasileira, a Igreja Tenrikyo, o templo budista, algumas igrejas evangélicas e xintoístas, além do campo de golfe e um complexo de praças”, enumera Julio Kosaka, presidente do Nipo.

Fora as obras arquitetônicas, os japoneses trouxeram para a cidade suas tradições e elementos culturais. Dentre eles destaca-se a prática do taikô (música feita a partir de instrumentos tradicionais de percussão), do bon odori (dança típica do País), a existência de escolas que ensinam o idioma o oriental, além das artes marciais e a paixão pelo karaokê.

E, graças aos nipônicos, ao completar pouco mais de um século de existência, Bauru já pode afirmar que desfruta de conhecimentos que outros povos demoraram milênios para ter acesso. À colônia japonesa, arigatô!

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Persistência e alegria

Semblantes quase sem rugas, energia de adolescente e um sorriso permanente no rosto. Quem vê pela primeira vez o casal Massao Hayakawa, 85 anos, e Keiko Hayakawa, 79 anos, não consegue deduzir a quantidade de anos que eles já viveram. Também não imagina o número de histórias e aventuras que eles têm para contar.

Massao deixou o Japão para morar no Brasil quando tinha 28 anos, a convite do tio, também japonês, que morava na cidade desde antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Veio para Bauru em busca de melhores oportunidades de vida e de trabalho.

“Eu sabia que a mudança ia ser brusca, mas não tive medo. Chegando aqui fui trabalhar na lavoura. Acordava todos os dias às 3 horas da madrugada, colocava os produtos na carroça e ia à feira, vender no atacado. Depois, o que sobrava eu e meu tio vendíamos no varejo”, lembra.

De acordo com ele, seu primeiro e maior desafio foi superar as barreiras de comunicação. Durante muito tempo buscou observar as palavras pronunciadas em português para tentar entender e falar igual. Ele conta que todos os dias fazia um planejamento que incluía o quê e quando falar, mas quase sempre os planos iam por água abaixo.

“Eu reparava que, quando uma pessoa falava ‘bom dia’, a outra respondia ‘bom dia’. Decidi tentar. Falei bom dia e me responderam outra coisa. Não entendi nada, me enrolei todo e quase morri de vergonha”, conta sorrindo.

Já no trabalho, Massao ousava menos. “O freguês me perguntava: ‘Qual o preço da melancia?’ Eu respondia: ‘Dois reais’. Daí ele perguntava de novo: ‘Tá docinha?’ E eu respondia: ‘Dois reais’. As pessoas achavam engraçado e compravam assim mesmo”, afirma.

Em 1957, já falando o português melhor, Massao casou-se com sua prima Keiko. Em parceria com o primo-cunhado, abriu uma quitanda, que funcionou por 30 anos na região central da cidade. Depois o casal fechou o estabelecimento para curtir a aposentadoria. Com 53 anos de casados, já foram para a Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Japão, mas garantem que não trocam a vida que levam em Bauru por nenhum outro país.

“Fui muito bem acolhido aqui e sou grato por isso. Sou 100% Bauru. Amo esta cidade. Aqui tenho minha família e minha vida. Não a deixo por nada”, conclui Massao.

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Ressonância infinita

Imagine tocar um instrumento que não tem partitura nem sequência de notas, impossível de afinar ou definir som. Para alguns, tal combinação parece impossibilitar a execução de uma música, mas, para os japoneses, esta técnica tem nome e tradição milenar: chama-se taikô e trata-se de uma percussão tradicional executada por tambores.

Shozo Nakamine, 62 anos, é o responsável por difundir a modalidade em Bauru. Natural da província de Wakayama, ele veio do Japão para Bauru com 10 anos de idade, mas só aprendeu a tocar taikô em 2003, quando o governo japonês enviou ao Brasil um professor profissional para ensinar a técnica na cidade. Logo depois fundou seu próprio grupo, chamado Muguenkyo Bauru Wadaiko, que significa “ressonância infinita” e remete ao pensamento do grupo.

“Os japoneses acreditam que o taikô traz felicidade e espanta os maus espíritos, por isso os grupos são muito requisitados para tocar em inaugurações, cerimônias religiosas e festividades. Enquanto tocamos, desejamos que o amor, a amizade e a solidariedade se permutem infinitamente sem barreiras e sem fronteiras”, explica Shozo.

De acordo com ele, a técnica, que une raciocínio, coreografia e música, também transmite valores importantes para a formação de caráter. Ensina educação, respeito, disciplina e atenção. “Estimula o trabalho em grupo e a solidariedade. Também ajuda a driblar a timidez”, acrescenta Shozo.

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Associação Nipo-Brasileira

Diferente dos outros clubes ou agremiações formadas por imigrantes, a Associação Nipo-Brasileira de Bauru não foi criada com a intenção de ser uma casa do Japão em Bauru. Na verdade, a colônia japonesa nem tinha a intenção de permanecer na cidade por muito tempo.

Fundado em 1936, o Nipo tinha único propósito de abrigar uma escola japonesa, que pudesse ensinar aos filhos de imigrantes a língua falada no país mais oriental do globo terrestre. Assim, quando retornassem ao Japão, as crianças estariam em iguais condições de alfabetização aos que nunca deixaram o país.

Porém, com poucos anos de funcionamento, o Nipo teve de baixar as portas por conta das guerras, frustrando mais uma vez os planos da colônia. “Como o Japão lutava contra o Brasil na Segundo Guerra Mundial, o governo proibiu qualquer tipo de reunião de japoneses. Também não era permitido falar japonês. Consequentemente, o Nipo, que tinha o único objetivo de ensinar a língua oriental, teve de encerrar suas atividades”, explica Julio Kosaka, presidente do clube.

As atividades só foram retomadas em 17 de março de 1958, mais de 10 anos após o término da guerra. Somente depois de dissipada a esperança de retorno à terra natal pela maioria dos membros da comunidade nipônica é que o clube assumiu um caráter mais recreativo.

Atualmente, conta com cerca de 300 famílias associadas, compostas de descendentes e brasileiros. Como atividade, oferece, além da tradicional escola japonesa, cursos ligados à área de esportes, oficinas para a terceira idade, festas e atividades típicas, como o karaokê, o taikô, a ikebana, entre outros.

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Igreja Tenrikyo

Construída nos moldes japoneses, com o telhado bastante abaulado, fachada rica em detalhes e um interior forrado por um trançado de madeiras, a Igreja Tenrikyo, situada na Vila Independência, atrai a atenção e aguça a curiosidade de bauruenses e visitantes, especialmente os que não são adeptos da seita praticada no templo.

Inaugurada em 1951, a construção é a evolução arquitetônica da primeira igreja que difundiu a religião xintoísta na cidade, fundada em 1936 pelo líder espiritual primaz Chujiro Otake. O prédio, que em 2003 foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru como patrimônio histórico e cultural da cidade, pode ser observada de várias partes do município, especialmente do viaduto Antônio Eufrásio de Toledo, e ocupa três quarteirões.

No mesmo ano de 1951, a Tenrikyo de Bauru também foi escolhida para ser sede da religião da América Latina, devido a fatores de localização geográfica do município. Por conta disso, abriga em suas dependências, além do templo, toda a infraestrutura necessária para acolher visitantes, como dormitórios, quadra poliesportiva e refeitório.

O complexo oferece aos bauruenses cursos de origem japonesa, como o que ensina a língua japonesa, o taikô (música tocada com tradicionais percussões), o koteki (banda) e o intercâmbio com uma universidade do Japão.

“Nossa crença não conflitua com as outras fés existentes em Bauru. Podemos conviver em perfeita harmonia. Por conta disso, a Igreja está aberta à toda a população. Aqui pregamos a profunda sinceridade de espírito e ensinamentos que vão além da questão material, moral ou cívica”, explica Paulo Matunobu, um dos diretores da Tenrikyo.

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Complexo de praças

O quê as praças das Cerejeiras, Primaz Chujiro Otake, Seicho-No-Iê e Kasato Maru têm em comum além do fato de serem espaços verdes? A resposta é simples: ambas foram fundadas em homenagem à colônia japonesa em Bauru.

A primeira a inaugurar a série de complexos de lazer em agradecimento à colaboração dos nipônicos para com a cidade foi a praça das Cerejeiras, localizada aos fundos da Prefeitura Municipal.

Criada de acordo com o decreto número 1.236, de 14 de janeiro de 1969, a praça das Cerejeiras está localizada entre as ruas Agenor Meira, Rio Branco, Aviador Gomes Ribeiro e Padre João. O nome foi dado em referência à árvore de cerejeiras, flor nacional do Japão, que representa a felicidade.

Em 1982 foi a vez da colônia ser homenageada com a inauguração da praça Seicho-No-Iê, situada na avenida Elias Miguel Maluf. O nome foi dado em referência à seita, introduzida na cidade por Nobuji Nagasawa, na época proprietário das massas Mezzani.

Doze anos depois, a rotatória que liga o Centro da cidade à Vila Independência recebeu a praça Primaz Chujiro Otake, também conhecida por ter um relógio monumental que marca as horas de acordo com a posição do sol. Desta vez, a homenagem foi à Igreja Tenrikyo, criada na cidade por Chujiro Otake, em 1936.

No final de 2008, às vésperas do centenário da imigração japonesa, o Jardim Eugênia foi presenteado com a inauguração da praça Kasato Maru, nome dado em referência ao navio que em 1908 atracou no porto de Santos, trazendo para o Brasil os primeiros imigrantes do país mais oriental do globo terrestre.

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Apego à religião

O apego à religião é uma das principais características da colônia japonesa. Em Bauru, os imigrantes foram os responsáveis por difundir a crença budista, o xintoísmo e a até mesmo fundar algumas igrejas no segmento evangélico.

Uma das mais conhecidas e que se tornou referência e cartão postal na cidade é, sem dúvidas, o templo da Igreja Tenrikyo, localizado na Vila Independência. O mesmo bairro concentra o maior número de membros da colônia nipônica na cidade.

De acordo com Massaru Ogino, 74 anos, a ligação existente entre os japoneses e a religião tem explicação histórica. Ele aponta o fato do país ter sofrido muito com as guerras e desastres naturais como principal influência a este apego.

“Para os japoneses, a religião é algo muito importante. Acreditamos em uma divindade suprema, que nos protege e é por obra deste poder maior que nos reerguemos e superamos as dificuldades. Toda religião tem o objetivo de garantir a salvação, vivenciar uma teologia e converter infiéis”, justifica Massaru.

Descendente de pais japoneses, Massaru é adepto do budismo e do xintoísmo. De acordo com ele, tal opção é muito comum entre os membros da comunidade nipo-brasileira, já que uma crença não conflitua com a outra.

Em sua casa, Massaru mantém dois altares, um budista e outro xintoísta, onde ora todos os dias e faz oferendas aos antepassados. “A maioria dos japoneses tem um altar em casa, já que costumamos ir ao templo somente em dias de missa. Nele ofertamos aos antepassados água, incenso, velas e arroz”, explica Massaru, que acredita que a tradição dificilmente será mantida pela nova geração de descendentes.

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Paixão por karaokê

Qual é a paixão nacional de seu país? Se esta pergunta for feita a brasileiros, certamente o futebol será a resposta da maioria das pessoas. Já se a mesma pergunta for feita aos japoneses, o elemento apontado será de uma categoria um tanto diferente: o karaokê.

Mais que uma forma de lazer, o karaokê é quase um item obrigatório entre os membros da sociedade japonesa. Criado no Japão no início da década de 70, a engenhoca não demorou a ultrapassar as barreiras geográficas, caiu no gosto da comunidade nipo-brasileira e logo entrou para a lista de hobbies prediletos dos orientais que aqui vivem.

O descendente de japoneses Ricardo Niitsu, 54 anos, é um dos adeptos do karaokê. Ele conheceu o aparelho quando tinha 24 anos, com o tempo descobriu ter talento para a música e começou a participar de concursos profissionais.

“Meus pais sempre cantarolavam músicas japonesas em casa e eu cresci convivendo com isso. Sempre gostei. Quando me arrisquei no karaokê, as pessoas começaram a comentar que eu tinha talento, foi quando decidi estudar música japonesa e me profissionalizar”, conta Ricardo.

Atualmente, ele se destaca em competições regionais interpretando músicas no estilo New Enka, popularizado pelo famoso cantor japonês Mori Shin Iti, e já conquistou mais de 50 títulos. No circuito nacional já alcançou a terceira colocação.

“Acredito que aqui no Brasil o karaokê é mais difundido que no Japão. Isto porque a colônia sente a necessidade de cultivar as raízes orientais. As músicas falam de amor, paz, família e sobre a ligação com a terra natal”, avalia Ricardo.

Além do resgate de raízes, o karaokê funciona como uma espécie de relaxamento para os japoneses e se caracteriza como divertimento para um público marcado pela timidez, que vai dos profissionais em momento de descontração a cantores de chuveiro.

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O segredo do sucesso

Basta dar um passeio pela feira para notar qual a atividade comercial praticada pela maioria dos membros da colônia japonesa. Agricultores ou comerciantes de hortifruti, os nipônicos entraram no segmento desde que vieram do Japão para o Brasil para trabalhar nas fazendas de café.

De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) de Bauru, cerca de 40% dos feirantes cadastrados na entidade tem ascendência japonesa, a maioria deles no ramo de hortifruti e hortaliças, com destaque também para as famosas barracas que comercializam pastéis.

Milton Sussumo Makuda, 44 anos, pertence a este grupo. Ele entrou no ramo por influência do pai, Tetsuo Makuda, 78 anos, nipônico que chegou ao Brasil quando tinha 5 anos. Atualmente ambos trabalham em um galpão na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), unidade de Bauru.

“Vim para o Brasil com minha família. Diziam que aqui existiam diamantes negros e que era possível enriquecer com facilidade. Quando chegamos descobrimos que, na verdade, o tal diamante negro era o café. Aprendemos a trabalhar com agricultura e nunca mais abandonamos o segmento”, lembra Tetsuo.

Já Milton nasceu na Colônia Fuji, situada na estrada Bauru-Marília, e convive com a atividade da família desde que nasceu. Lá aprendeu a cultivar bicho-da-seda, mas foi somente mais tarde que iniciou o trabalho com legumes e hortaliças. De acordo com ele, a tradição da família é o segredo do sucesso.

“Todo mundo diz que os legumes comercializados por japoneses são diferentes, têm uma qualidade especial. Sinceramente, eu acredito que é verdade. Isto porque, desde criança, os japoneses aprendem tradições e valores muito importantes, como a paciência, a calma, o cuidado e a dedicação, que fazem toda a diferença na agricultura”, avalia Milton.

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Exotismo que vai

do nome ao sabor

Tempurá, tenpaniaki, sukyiaki, sushi e sashimi. Quem nunca leu estas palavras anteriormente pode presumir que se trata de algo ligado ao lado oriental do globo terrestre, especificamente ao Japão. Já os brasileiros um pouco mais familiarizados com os costumes nipônicos podem pressupor que tais palavras se referem a pratos da gastronomia japonesa, conclusão tirada a partir da presença do sushi e do sashimi na lista.

Além do nome que soa estranho aos ouvidos brasileiros menos treinados, o gosto também pode parecer bem exótico para quem prova pela primeira vez das iguarias, que diferem em muito do tradicional arroz e feijão que diariamente compõem a mesa do brasileiro.

Marcelo Honda, 33 anos, sushiman e proprietário de um restaurante japonês localizado na Vila Cidade Nova Universitária, aponta com facilidade o motivo para tal estranhamento. De acordo com ele, a gastronomia japonesa conta com quatro ingredientes principais, raramente presentes na dieta verde e amarela.

“Os japoneses consomem muito peixe, arroz, legumes e algas marinhas, que os brasileiros não estão acostumados. Por outro lado, pouco usam o tempero. A ideia é conservar o sabor e a textura natural dos alimentos. Diferente da culinária ocidental, que prima muito pelos condimentos”, compara Marcelo.

Outra particularidade apontada pelo sushiman está no tipo de arroz consumido, que no Japão é mais pastoso devido às formas de cultivo e drenagem. De acordo com ele, as acentuadas diferenças existentes entre a gastronomia japonesa e as outras gastronomias se devem principalmente a questões geográficas.

Isto porque o território japonês é uma ilha, com pouco espaço para a agricultura e a pecuária. Sendo assim, para sobreviver os nipônicos tiveram de tirar das águas o sustento. O fato do peixe ser consumido cru também tem ligação histórica. No período das guerras, o país não dispunha da estrutura necessária para cozinhar os alimentos e teve de driblar as dificuldades consumindo peixe cru.

Com o tempo, o que era necessidade se incorporou ao paladar oriental, ultrapassou barreiras geográficas e invadiu o Brasil e se tornou sinônimo de vida saudável. “Noventa por cento dos clientes do restaurante são brasileiros. Claro que, para conquistar o paladar dos bauruenses, os pratos sofreram algumas adaptações e restrições. O tempero, por exemplo, apesar de leve, é bem mais forte que no Japão. Também não oferecemos toda a diversidade existente, já que a aceitação seria bem difícil”, avalia Marcelo, que indica o saquê como sendo a bebida ideal para acompanhar os pratos orientais.

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Sushi kappamaki

(enrolado fino de pepino)

Ingredientes

500 gramas de arroz japonês.

600 ml de água.

5 centímetros de kombu (alga desidratada).

10 ml de saquê mirim.

120 ml de amasu.

1 pepino cortado em tiras sem semente.

1 folha de nori.

Pasta de wasabi (raiz forte).

Shoyu (molho de soja).

1 esteira de bambu.

Modo de preparo do arroz

Lave bem o arroz por pelo menos três vezes.

Coloque em uma panela alta o arroz, o kombu, o saquê e a água.

Deixe ferver, abaixe o fogo e coloque uma tampa.

Cozinhe por mais 10 minutos e desligue o fogo.

Aguarde 15 minutos antes de abrir a tampa.

Retire o kombu, revolva o arroz e coloque em uma bacia larga.

Despeje o amasu* sobre o arroz e misture-o com movimentos rápidos e leves, para não quebrar o arroz.

Deixe resfriando naturalmente, mantendo coberto com um pano úmido.

*Como fazer o amasu

Coloque para ferver 1 litro de vinagre de arroz, 750 gramas de açúcar e 50 gramas de sal. Depois reserve.

Modo de preparo do sushi

Corte uma folha de nori ao meio e coloque-a sobre a esteira de bambu.

Cubra-a com uma camada de arroz de sushi de cerca de 1 cm de espessura, deixando uma borda do nori livre.

Coloque o recheio (tiras de pepino) ao longo do centro até as bordas.

Enrole a esteira, começando pelo lado mais próximo de você. Use os dedos para manter o recheio no lugar.

Envolva todo o recheio na primeira volta e em seguida dê mais um tombo, sempre comprimindo o rolo. Se preferir, pode achatar as laterais do rolo.

Desenrole a esteira com cuidado, verificado se o sushi está bem fechado.

Com uma faca afiada corte-os em 8 pedaços.

Sirva com shoyu e wasabi (raiz forte).