11 de julho de 2026
Internacional

Padre argentino desafia hierarquia e diz que fará casamento gay


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Buenos Aires - O padre Nicolás Alessio, da cidade de Córdoba, recentemente castigado pela Igreja por ter respaldado o casamento civil gay, anunciou neste fim de semana em tom de desafio que está disposto a oficiar o enlace religioso de um casal homossexual.

“Se um casal gay me pedir para que o case, os casarei com grande prazer!” sustentou. Alessio lamentou a posição do alto clero sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo: “É uma pena que (a Igreja) ainda seja tão autoritária, tão indisposta a compreender a diversidade”.

As declarações de Alessio se dão sob o contexto da aprovação, na Argentina, da nova lei de “casamento gay”, aprovada na madrugada da quinta-feira passada no Senado argentino e que será promulgada na quarta-feira pela presidente Cristina Kirchner.

A promulgação, segundo informou María Rachid, presidente da Federação Argentina de Lésbicas, Gays e Bissexuais (FALGBT), será realizada com toda pompa em uma cerimônia na Casa Rosada, o palácio presidencial.

Feito isso, a partir do dia 13 de agosto os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Argentina já poderão ser realizados. O primeiro enlace matrimonial sob a nova lei de “casamento gay” será o do ator Alejandro Vanelli, de 61 anos, e o empresário artístico Ernesto Larresse, de 60 anos.

“Estamos muito felizes, já que com esta lei a Argentina torna-se um país mais solidário e livre”, declararam em nota Vanelli e Larresse, que moram juntos há 34 anos.

No entanto, diversos juízes no Interior do país declararam que não aceitarão realizar tal tipo de casamentos. A primeira, na sexta-feira, foi a juíza Marta Covella, da cidade de General Pico, na província de La Pampa, que alegou que “Deus lhe disse” que esse tipo de casamentos é contra a “lei divina”.

Ontem, foi a vez do juiz Alberto Arias, da cidade de Concórdia, na província de Entre Ríos. “Por qual motivo vão me obrigar a casá-los, se outra pessoa pode fazer esse casamento em meu lugar?”, disparou o juiz, que alegou que não realizará o casamento entre pessoas do mesmo sexo por “questões de consciência”.

O casamento civil homossexual também continua gerando intensa resistência por parte de setores da Igreja Católica. No sábado, durante a procissão anual da Virgem de Itatí, na província de Corrientes, o bispo Andrés Stanovik ressaltou que “ninguém sabe onde essa lei nos levará”. Segundo o bispo, Jesus “nasceu homem” e aprendeu com seus pais, “Maria e José, o bem que existe na diferenciação entre um homem e uma mulher”.