Cabul - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) divulgou ontem uma mensagem em que o líder espiritual do grupo islâmico Taleban, mulá Mohammed Omar, pede a captura e o assassinato de todos os civis que colaboram com a missão internacional.
Caso seja genuína, a carta marca uma mudança das diretrizes do Taleban. No ano passado, o próprio mulá Omar pediu aos militantes que evitassem ferir civis - mesma estratégia, aliás, ordenada pelo comando das tropas internacionais do país, em um esforço para conquistar o apoio do povo afegão.
A divulgação se deu no dia em que um atentado suicida contra um comboio estrangeiro deixou ao menos três civis mortos, incluindo uma criança, e outros 23 feridos em Cabul, Capital do Afeganistão. O ataque ocorreu no distrito de Makroyan, perto do aeroporto da Capital. O terrorista suicida detonou os explosivos próximo a uma clínica particular, em uma estrada utilizada frequentemente por tropas estrangeiras.
O atentado acontece apenas dois dias antes da realização da Conferência de Cabul, em que representantes de 70 países pretendem analisar a estratégia do governo afegão em meio ao processo de retomada da autonomia.
Em entrevista coletiva, o porta-voz da missão da Otan no Afeganistão, Josef Blotz, explicou que o líder supremo dos insurgentes deu diretrizes para que se mate qualquer afegão, independentemente de seu sexo, que dê informação às forças internacionais.
O mulá Omar teria pedido ainda a seus combatentes que “lutem até a morte sem se render” contra as tropas estrangeiras e procurem capturar soldados com vida. Ele também teria ordenado a ampliação dos esforços no recrutamento de pessoas que tenham acesso a bases militares ou a informações, e insistiu na necessidade de adquirir armamento pesado.
Todas estas diretrizes estão, segundo a Otan, em uma mensagem dirigida em junho aos seus comandantes subordinados. O documento foi interceptado por militares da aliança atlântica no Afeganistão. Omar é tido como o fundador do movimento taleban que emergiu durante a guerra civil nos anos 90. Ele não é visto há anos e acredita-se que está refugiado em algum local do Paquistão.
“Isso prova que os talebans estão dispostos a ignorar seu próprio código de conduta quando sentem que estão perdendo influência e controle”, ressaltou o porta-voz.
A segurança na Capital foi ampliada em antecipação à Conferência de Cabul, que terá a participação dos chefes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da Organização das Nações Unidas (ONU), da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e outros diplomatas.
Cerca de 150 mil militares estrangeiros estão no Afeganistão para combater a milícia Taleban, em seu momento mais forte desde o início da guerra, após os ataques de 11 de setembro de 2001.