Bagdá - Pelo menos 46 pessoas morreram em dois ataques contra milícias pró-governo, ontem, no Iraque. Primeiro, 43 pessoas morreram e outras 42 ficaram feridas em um atentado suicida contra um grupo das milícias Conselhos da Salvação, no sudoeste de Bagdá, informaram fontes do Ministério do Interior do Iraque. Horas mais tarde, um ataque contra a milícia sunita Filhos do Iraque, também conhecida como Sahwa, que apoia as forças de segurança iraquianas, deixou ao menos três mortos e outros sete feridos no oeste do Iraque.
O primeiro ataque aconteceu em Radwaniya, antigo reduto da rede terrorista Al-Qaeda, a 25 km a oeste de Bagdá. Um homem-bomba disfarçado de militar detonou os explosivos perto de um grupo de milicianos que esperava para receber seu salário.
A polícia local informou que o segundo ataque foi realizado por um homem-bomba também disfarçado com roupas do Exército. Ele invadiu uma reunião na sede da milícia, na cidade de Al Qaem, perto da fronteira síria, e abriu fogo contra os presentes. Os milicianos reagiram e conseguiram ferir o terrorista, que então detonou os explosivos. Dois milicianos e um policial morreram, e seis pessoas ficaram feridas. A explosão causou ainda graves danos ao prédio.
As forças de segurança investigam como o terrorista conseguiu um uniforme militar e burlou as medidas de segurança e entrar na sede do Conselho em plena reunião.
Origem
As milícias sunitas foram criadas em outubro de 2006 como parte da estratégia do então comandante das forças americanas no Iraque, David Petraeus, na luta contra a insurgência vinculada à rede terrorista Al-Qaeda.
Elas são formadas por antigos insurgentes sunitas que passaram para a luta contra a Al-Qaeda. Os milicianos foram financiados, num primeiro momento, pelos americanos, segundo uma estratégia de ação conjunta que contribuiu para reduzir a violência no país.
A primeira dessas milícias surgiu na província ocidental de Al-Anbar. O sucesso dela levou os clãs árabes das províncias de Salahadin, Diyala, Ninawa e algumas regiões de Bagdá a formarem seus próprios Conselhos de Salvação.
As milícias, que contam com 94 mil membros, passaram em janeiro de 2009 para controle do governo de Bagdá, mas seus dirigentes se queixam de ter sido abandonados pelas autoridades iraquianas.
No caso dos ataques de ontem, nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques. Contudo, como a polícia e o Exército iraquianos, a milícia é um alvo constante dos insurgentes, que às vezes realizam campanhas de punição contra seus integrantes. Em abril passado, rebeldes disfarçados de militares assaltaram um povoado ao sul de Bagdá e mataram 25 pessoas, entre elas milicianos.