11 de julho de 2026
Polícia

PM apreende 4 menores por furto a casa

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar (PM) foi acionada ontem, por volta das 16h, para averiguar um arrombamento em uma casa na rua Alfredo Fontão, no Jardim Paulista, em Bauru. No momento do crime, a residência estava vazia, mas os vizinhos avistaram cinco pessoas carregando uma televisão de 29 polegadas e um aparelho de som.

A PM perseguiu o grupo e, ao capturá-los, encontrou uma situação que preocupa cada vez mais: quatro deles eram menores. Dois dos garotos tinham 13 anos, outro tinha 15 e, o mais novo, apenas 12 anos de idade.

Junto com eles estava também Sidnei Nicolau Modesto dos Santos, de 19 anos. Ele assumiu que a intenção era pegar o material e vender posteriormente para comprar entorpecentes, especificamente crack e maconha.

Os acusados também declararam que tentaram entrar em outra casa, porém, não conseguiram levar nada porque foram surpreendidos por um cachorro. Eles assumiram ainda que fizeram outros roubos na cidade, incluindo uma televisão de LCD, vendida por aproximadamente R$ 100,00.

Segundo o capitão da PM Renato Ramos, um dos adolescentes aparece em uma filmagem de roubo a um estabelecimento comercial na avenida Getúlio Vargas. Na ocasião, eles levaram o caixa do local, mas havia somente moedas.

No roubo de ontem, ao notar a presença da polícia, o grupo fugiu para um matagal localizado na quadra 1 da rua Aviador Edu Chaves. Assim que adentraram no matagal, os cinco tiraram as camisetas para dificultar as respectivas localizações. Assim, a PM precisou acionar o helicóptero Águia e o Canil. De acordo com o capitão Ramos, a operação envolveu seis viaturas e um total de 12 policiais.

Problema social

Para o capitão, o problema não envolve somente a polícia. “A parte da polícia para por aqui. Mas, e depois? Esses garotos serão levados ao Conselho Tutelar e, provavelmente, passados à responsabilidade dos pais. Ou seja, amanhã eles estarão nas ruas de novo e o pior é que não terão medo”, explica.

Como possíveis soluções, ele coloca políticas que possam formar melhor os jovens e evitar que eles entrem na criminalidade. “É preciso que haja ações para evitar que o jovem parta para essa vida. Tem que haver um trabalho de base, uma política com esse objetivo. A polícia faz a parte dela, porém, não existem somente esses que estão sendo presos hoje (ontem). Se fossem só eles, poderia até resolver. Mas não. Existem muito mais”.

O capitão afirma que a situação chegou a um ponto que “beira a insanidade”. “Eles entraram na casa, roubaram e fugiram descalços, a pé, carregando um televisor de 29 polegadas. Chega a ser insana a situação”, complementa.

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Outros casos

Tem sido cada vez mais comum o registro de ocorrências policiais de furto, roubo e envolvimento com drogas com a participação de menores. No dia 31 de maio, um menino de 13 anos foi apreendido com 40 pedras de crack e uma balança de precisão no Jardim Ouro Verde, conforme divulgado pelo JC.

Dois dias depois, dois adolescentes de 17 anos furtaram uma CPU, um monitor de LCD, aparelhos de tocar CD e outros objetos de uma casa noturna no Centro da cidade.

No dia 9 de junho, uma equipe da Força Tática de Bauru apreendeu na favela São Manuel um garoto de 14 anos com outras 40 pedras de crack e objetos furtados.

Com uma quantidade muito maior foi apreendido um adolescente de 16 anos na rodovia Bauru/Ipaussu no dia 19 de junho. Ele transportava 30 quilos de maconha de Cascavel (RP) para Ribeirão Preto, quando foi surpreendido pela Polícia Rodoviária.

O caso semelhante a outro ocorrido em 15 de julho, quando uma adolescente de 16 anos foi descoberta em uma fiscalização de rotina da Polícia Federal (PF) com cerca de cinco quilos de crack, o que renderia aproximadamente 10 mil pedras da droga. Ela transportava o produto na rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a chamada Bauru/Iacanga.

Em relação especificamente aos problemas de menores envolvendo o tráfico de drogas, o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, João Inácio Rodrigues, afirmou em reportagem veiculada no Jornal da Cidade em 1 de junho que a situação tendia a piorar.

“Se os pais e responsáveis, o poder público, as entidades, os conselhos constituídos, o Poder Judiciário e as forças da sociedade não se unirem, não falarem a mesma linguagem, assumirem sua parcela de responsabilidade, a tendência é o caos social”, declarou na ocasião. A reportagem ainda constatou que, na época, o tráfico de drogas era responsável por 60% dos menores internados na Fundação Casa.