Bastou o Executivo publicar no Diário Oficial de Bauru (DOB), anteontem, a versão corrigida do edital de licitação para contratação da empresa que fará a auditoria na Companhia de habitação Popular (Cohab) para os vereadores criticarem a abrangência da apuração.
Pela nova redação do edital, a empresa vencedora fará a análise dos 208 contratos firmados entre a Cohab e a Caixa Econômica Federal (CEF), que dizem respeito aos resíduos habitacionais que o banco federal está cobrando da companhia na Justiça.
Mas parte dos vereadores defende que os mais de 20 mil contratos da companhia com os mutuários também teriam de ser auditados. A companhia argumenta que a realização desta avaliação levaria anos para ser concluída.
A apuração foi colocada como uma das condições para a aprovação dos vereadores da autorização para que a prefeitura compre títulos do fundo do trabalhador (CVS) para pagar resíduos habitacionais da Cohab que estão vencendo, em um valor imediato de R$ 175 milhões (até 2011) e um total de aproximadamente R$ 400 milhões a vencer até 2020. Além disso, a Câmara também colocou como condição o enxugamento do quadro de funcionários e das despesas da companhia.
José Roberto Segalla (DEM) lembrou que a Câmara fez diversos pedidos de informação para a Cohab sobre a dívida e nunca foi atendida. Por isso, a necessidade da auditoria. “A demora nas respostas ou a falta delas deixou os vereadores desconfiados para apreciar o refinanciamento pedido. O que nós queríamos era nos sentirmos mais a vontade em relação aos números”, disse. “Por isso a necessidade de alguém de fora fazer isso”, observou.
O vereador defendeu uma pesquisa mais densa. “Se a auditoria não vai trazer as informações que precisamos, os números irão continuar parciais”, avaliou. “Além disso, levanta suspeitas na medida que não vai fornecer dados amplos”, afirmou. “E a Cohab não demonstrou sua boa vontade, enxugando a folha de pagamento. Nas atuais circunstâncias, lá deveria ter somente técnicos e não cargos políticos”, defendeu. Por isso, Segalla afirmou que será contra novo pedido de financiamento.
Amarildo de Oliveira (PPS) lembrou que a prefeitura deveria ter mandado a minuta do edital para avaliação dos vereadores. “Nada nos foi enviado”, enfatizou. “Não foi o lado dos vereadores que descumpriu o acordo”, ressaltou.
“A empresa tinha que auditar a Cohab inteira”, avaliou o vereador Roque Ferreira (PT). “Tinha que ser verificado os contratos, a postura de gestão da Cohab. Mas vamos aguardar o desenrolar deste procedimento para avaliar”, observou. Já Marcelo Borges (PSDB) defendeu outro tipo de postura. “A prefeitura tem que adotar uma postura de enfrentamento judicial da dívida”, afirmou. “Além disso, a auditoria não está de acordo com o combinado com os vereadores”, observou.
A Prefeitura de Bauru abriu licitação anteontem. O recebimento das propostas e a sessão de licitação estão marcados para o dia 02 de agosto.