11 de julho de 2026
Regional

Jaú busca alternativas para eliminar resíduos calçadistas

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – Preocupada em solucionar o problema do despejo irregular de parte dos resíduos produzidos pelas fábricas de calçados do município, a prefeitura de Jaú (47 quilômetros de Bauru) promoveu no início dessa semana reunião entre uma empresa que atua no tratamento de resíduos industriais e o Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados) para demonstrar um equipamento que promete eliminar até dez toneladas de lixo por dia, reduzindo em até quatro vezes o custo com transporte do material. Atualmente, o setor produz, em média, 270 toneladas de lixo por mês, que são levadas para um aterro industrial em Guatapará por empresa contratada pelo sindicato.

O encontro, realizado na última segunda-feira, às 9 horas, na Faculdade de Tecnologia (Fatec), reuniu cerca de dez empresários do setor. No Brasil, a primeira máquina, que é produzida com tecnologia japonesa, será instalada em uma fábrica da Hyundai.

De acordo com o Executivo, o novo sistema elimina os resíduos - com exceção de metal, vidro e minerais - por meio de processo de decomposição magnética, sem a necessidade de queima ou utilização de energia elétrica, e pode até ser uma alternativa para o lixo urbano.

O equipamento cria uma quantidade de poluentes próxima a zero, com 90% da fumaça formada por vapor de água. Além disso, cada 300 quilos de lixo orgânico degradado inserido no equipamento irá produzir, como resultado final, apenas cinco quilos de uma espécie de pó não tóxico.

O diretor da Mfsflux, empresa responsável pela demonstração da nova tecnologia, Fernando Correa, explicou que o custo da máquina pode variar entre R$ 600 mil e R$ 2 milhões, dependendo de sua especificação.

Segundo o secretário do Meio Ambiente de Jaú, Maurício Arruda de Toledo Murgel, a ttecnologia poderá amenizar o problema crônico do despejo irregular gerado pela indústria calçadista da cidade e região, que produz danos ao meio ambiente e prejudica a imagem do produto.

“A gente sabe que, na verdade, parte das empresas faz sua destinação adequada, com consciência, mas existe uma parte da cadeia (calçadista), formada pelos pequenos (empresários), que não faz isso de forma adequada. Então, acaba ocorrendo o problema do resíduo do couro na região”, diz.

“Quando surgiu essa máquina, a gente viu a possibilidade de estar agregando, no nosso sapato, uma solução ambiental”.

Uma das propostas apontadas pelo secretário para reduzir os custos com a compra do maquinário seria a formação de consórcio reunindo empresas calçadistas da cidade e, até mesmo, da região. “Eu acredito que a solução ideal seria uma solução coletiva, mas pode ser que algumas empresas queiram fazer o descarte individual”, afirma.

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Projeto

O diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados), José Geraldo Galazzini, considera a nova tecnologia interessante e afirma que a entidade está avaliando a viabilidade para eventual futura contratação do sistema, inclusive com apoio do Executivo, que poderia solucionar ainda o problema da destinação do lixo doméstico.

“É interessante o processo, desde que o resultado seja eficiente, dentro do que foi dito”, diz. “Mas é muito cedo ainda para se ter alguma opinião a respeito porque temos que ver a questão de custo, qual é o tamanho do equipamento para atender a cidade, ou se seria mais de um município. O sindicato propôs a empresa que apresente um projeto para Jaú”.

Segundo ele, outras questões que precisam ser avaliadas referem-se ao licenciamento da nova tecnologia por parte da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e o eventual interesse de empresas de outras cidades, como Bocaina, Barra Bonita e Dois Córregos, que também atuam no setor coureiro-calçadista, na contratação do sistema.

Atualmente, de acordo com Galazzini, uma transportadora contratada pelo Sindicalçados fica responsável pela coleta diária e transporte dos resíduos produzidos por 170 empresas associadas do setor calçadista até um aterro industrial localizado em Guatapará.

“Existe um licenciamento feito pela Cetesb em nome do sindicato. É um licenciamento coletivo chamado cabre”. Em média, segundo o diretor-executivo, o setor calçadista de Jaú produz, por mês, 270 toneladas de resíduos. Empresas que ainda não contam com o serviço podem entrar em contato com o sindicato na Praça Gildo Renda, nº 15, na Vila Assis, ou através do telefones (14) 3622-3065, 3622-3045 ou 3626-1424.