Santiago -A Igreja Católica do Chile propôs ontem, em comemoração ao bicentenário da independência, que o governo de Sebástian Piñera perdoe militares condenados por crimes contra os direitos humanos. Pela proposta, receberiam indultos os que praticaram crimes de menor responsabilidade e que tenham mostrado gestos de arrependimento.
O pedido foi feito pelo presidente da Conferência Episcopal do Chile, Alejandro Goic, que junto com outras autoridades eclesiais se reuniram com Piñera para pedir clemência aos réus, o que atraiu críticas de vários setores. “Ao nosso ver, não cabem nem um indulto generalizado nem uma recusa geral do indulto para todos os ex-militares condenados”, assinala a proposta da igreja.
O gabinete do presidente respondeu que ele vai “refletir” levando em conta a justiça, a unidade nacional e a segurança dos chilenos.
A maior parte dos condenados por delitos contra os direitos humanos era integrante das Forças Armadas. Durante a ditadura, cerca de 3 mil pessoas morreram por razões políticas e 28 mil sofreram tortura, incluindo a ex-presidente Michelle Bachelet.
Organizações de direitos humanos e outros grupos sociais e políticos iniciaram uma campanha nos meios de comunicação contra o eventual indulto, a ser decidido por Piñera ou pelo Congresso.