08 de julho de 2026
Internacional

Venezuela rompe relações com a Colômbia


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Nova York - A Venezuela anunciou ontem o rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia, pouco após Bogotá apresentar na OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, supostas provas da acolhida a guerrilhas colombianas no país vizinho.

As evidências são fotografias, vídeos e fotos aéreas com identificações de coordenadas feitas pelos colombianos para indicar locais onde creem haver acampamentos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em solo venezuelano.

Há cinco acampamentos - quatro das Farc e um do ELN - cujas coordenadas foram, segundo a Colômbia, confirmadas por grupos desmobilizados e por GPS. O governo crê que existem hoje de 20 a 39 acampamentos na Venezuela, mas os demais não têm localização confirmada. Bogotá diz que os grupos planejam ataques contra a Colômbia sem que Caracas aja para coibi-los.

A sessão na OEA fora pedida por Bogotá em caráter emergencial. Erguendo a voz e batendo os punhos na mesa, o embaixador colombiano no órgão, Luis Alfonso Hoyos, até disse que o país quer diálogo e cooperação, mas usou palavras duras contra a Venezuela. “Já mostramos essas provas várias vezes ao governo de Caracas, e como resposta recebemos insultos. (...) É uma novela. Estamos cansados.’’

Pediu também uma comissão de investigação da OEA para ir em até 30 dias cada um dos locais apontados. O representante da Venezuela, Roy Chaderton, foi irônico: “Conta outra’’. Disse que as imagens eram questionáveis e que as coordenadas, conhecidas e descartadas.

Enquanto corria a sessão na OEA, o presidente Hugo Chávez anunciava em Caracas o rompimento das relações e ordenava um alerta na fronteira com a Colômbia, alegando risco de agressão. Disse que a decisão foi tomada por “dignidade’’.

Minutos depois do anúncio em Caracas, o embaixador da Venezuela na OEA pediu de novo a palavra para comunicar a ruptura. “(A apresentação da Colômbia) foi uma provocação. Mas em algumas provocações temos de cair mesmo.’’ As relações entre eles já estavam congeladas havia quase um ano.

Várias autoridades presentes manifestaram ceticismo quanto às provas . “Não se sustentariam num tribunal’’, disse um diplomata. Algumas fotos são de 2002.

Segundo diplomatas ouvidos pela reportagem, há a impressão de que o governo do presidente Uribe, que acaba em agosto, quis reagir aos sinais de aproximação com a Venezuela dados pelo presidente eleito, Juan Manuel Santos.

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Hugo Chavez chama de Uribe “mentiroso” e “mafioso”

Caracas - Em resposta às acusações da Colômbia durante a reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) - de que a Venezuela abriga ao menos 1,5 mil guerrilheiros colombianos em 87 campos de treinamento -, o líder da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a ruptura de relações diplomáticas entre Caracas e Bogotá, e afirmou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é “mentiroso” e “mafioso”.

O líder defendeu os venezuelanos dizendo que são “capazes de morrer defendendo nossa verdade e a dignidade deste país”, além de caracterizar Uribe como “um mentiroso, obsessivo, mafioso, se presta a qualquer jogada, é capaz de qualquer coisa e instalou um governo de máfias, triste e lamentavelmente para este povo querido e irmão e para seus vizinhos que somos nós”, informou o jornal venezuelano “El Universal”.

“Não nos resta por dignidade, senão romper totalmente as relações diplomáticas com irmã Colômbia e isso me dá uma lágrima no coração. Espero que se imponha a racionalidade no que a Colômbia pensa”, disse.

Chávez disse ainda que a decisão de romper relações deve-se à “gravidade do ocorrido” durante a sessão da OEA, quando o governo colombiano reforçou as acusações contra Caracas.

Ainda citado pelo “El Universal”, o líder da Venezuela argumentou que as supostas provas de que o país abrigue ao menos 1,5 mil guerrilheiros colombianos em 87 campos de treinamento são “invenções”.

“Lá (na Colômbia), se inventaram falsos positivos que foram capturados pelas forças militares da Colômbia e os levaram a uma montanha, os mataram, e depois de tê-los matado nos bairros pobres de Bogotá e Medellín, os vestiram com uniformes militares”, acrescentou.

A decisão de colocar as fronteiras em “alerta máximo” deve-se ao risco de que o Uribe, “movido por seu ódio contra a Venezuela”, opte por uma ação militar contra Caracas, enfatizou Chavez.

As declarações de Chávez foram feitas em rede nacional de televisão, ao lado do técnico da seleção de futebol argentina Diego Maradona, que visita a capital da Venezuela. Maradona disse que “isso não é culpa dos colombianos”, segundo o jornal colombiano “El Tiempo”.

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Brasil vai ajudar a solucionar crise

Brasília - O embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, lamentou o rompimento. Em fala à OEA, exortou ao diálogo: “A América do Sul é uma região de paz e é fundamental manter essa característica’’.

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, lamentou ontem a decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de romper relações com a Colômbia. De acordo com Garcia, o governo brasileiro e o presidente Lula estão dispostos a ajudar os dois países a solucionarem o impasse.

“Eu acho que é lamentável isso, mas nós temos convicção de que com o estabelecimento do novo governo (da Colômbia) essas coisas possam se recompor imediatamente. O Brasil está ajudando e vai continuar ajudando através de conversas com as partes”, disse Garcia.

Garcia lembrou que a tensão entre Colômbia e Venezuela é antiga, mas apontou que o Brasil percebe disposição das duas partes para negociar e solucionar a crise.