Ontem, o juiz da 1ª Vara Criminal de Bauru, Benedito Antônio Okuno, começou a ouvir as testemunhas de defesa do caso do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, morto em ação policial no dia 15 de dezembro de 2007 em sua casa, no Núcleo Mary Dota.
A audiência de ontem teve os relatos de cinco pessoas que falaram sobre a personalidade e o convívio com os seis policiais envolvidos no caso. Uma nova audiência foi marcada para o dia 31 de janeiro de 2011, quando serão arroladas outras 11 testemunhas de defesa dos réus.
De acordo com Sérgio Mangialardo, advogado de defesa de três dos seis policiais envolvidos no caso Juninho, a audiência de ontem foi importante para apresentar como os indiciados eram no dia a dia de trabalho.
“O que achei muito interessante na audiência foi o depoimento de oficiais que fizeram parte do procedimento que apurou o caso no dia dos fatos. São pessoas da própria Polícia Militar (PM) que estavam no procedimento que culminou na prisão em flagrante”, afirmou Mangialardo.
Ele disse que os testemunhos foram relativos apenas à conduta profissional dos policiais, sem entrar no mérito da discussão do que ocorreu na madrugada do dia 15 de dezembro de 2007. “A maior parte das testemunhas se referiu muito à conduta deles na PM”, contou o advogado de defesa.
A audiência teve início às 14h e se estendeu por aproximadamente 3 horas e meia. Agora, mais 11 testemunhas de defesa serão ouvidas no dia 31 de janeiro e ficará a cargo do juiz marcar a data para a realização das alegações finais e, consequentemente, a divulgação da sentença.
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Como foi
Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade na época, o adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, foi morto durante uma ação policial no dia 15 de dezembro de 2007 em sua casa, no Núcleo Mary Dota, em Bauru.
Durante a madrugada, os policiais militares Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, Gerson Gonzaga da Silva, Emerson Ferreira, Ricardo Ottaviani, Maurício Augusto Delasta e Juliano Arcangelo Bonini foram à casa do adolescente, até então suspeito de ter participado de um assalto no Centro horas antes.
Os seis policiais entraram na casa da família, onde estavam Júnior, a mãe e a irmã. Então, o adolescente ficou trancado no quarto na companhia de policiais.
De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), o rapaz levou 15 choques elétricos, sendo um fatal. Os seis policiais que trabalharam na ocorrência foram presos em flagrante. A motocicleta roubada foi encontrada no quintal do adolescente e a vítima do roubo reconheceu o menor como autor do crime.