“A principal característica dele era a inteligência”. É assim que a família descreve o médico bauruense Celso Montenegro Turtelli, filho de Armando e Dulce Turtelli, que morreu aos 61 anos no último dia 16, em Ribeirão Preto, vítima de câncer.
A mãe de Celso traça um pouco da vida profissional do filho, que é considerado um dos bauruenses de maior renome no meio científico. “Ele se formou em medicina na Universidade De São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, em 1973. Fez dois anos de residência em Ribeirão e foi trabalhar na Faculdade Federal de Medicina de Uberaba, dando aulas de radiologia, até se aposentar”.
Atualmente morava em Ribeirão Preto, onde orientava os residentes e trabalhava no Centro de Radiologia da Santa Casa da cidade.
Ele era aluno do Instituto de Educação Ernesto Monte e, segundo a mãe, já se destacava nessa época. “Ele sempre foi inteligente. Sempre nos deu muito orgulho”, afirma. Dulce relembra que o filho era muito carinhoso. “Geralmente, eu estava vendo televisão de noite e ele sempre trazia um chá para mim. E trazia do jeitinho que eu gostava, com rodelinhas de limão”, relembra, com saudades.
E se a inteligência acompanhou Celso por toda a sua vida, o afeto também. Entre os prêmios que mais se orgulha, a mãe destaca um que está fora da lista das diversas premiações importantes que o médico obteve durante a jornada profissional. “Ele sempre foi muito companheiro e carinhoso. Apesar de quieto, ele tinha uma enorme facilidade de fazer amizades. Quando era mais jovem, teve uma eleição e ele ganhou como o melhor companheiro da turma”, conta, orgulhosa.
Na vida pessoal, era um homem reservado. Sua irmã, que tem o mesmo nome da mãe, explica que ele somente se soltava na presença da família. “Além de muito inteligente, ele era bem quieto. Ele se expandia mais com a gente e os filhos. Ele também se soltava com o time dele. Era palmeirense roxo”.
Trabalho
Celso Turtelli era membro da Sociedade Brasileira de Radiologia (SBRad) e, em maio deste ano, participou de um encontro realizado em Bauru do Clube Manoel de Abreu. O clube existe há 40 anos e traz aulas científicas e discussão de casos sobre radiologia. Segundo Dulce Turtelli, o filho recebeu a primeira colocação por apresentar o caso mais interessante.
Mas, no início da sua carreira, o médico tinha outros planos: ser aviador. Dulce conta que era a grande paixão dele.
“Ele fez curso no Aeroclube de Bauru. Era um grande hobby que ele tinha. Ele até tirou licença para pilotar, mas na época, o mercado não era bom. Então, ele acabou optando por medicina, uma ótima escolha por sinal”.
A escolha foi realmente acertada e o médico sempre manteve o compromisso com o trabalho acima de tudo. “Ele trabalhou até 15 dias antes de falecer. Isso mostra como era comprometido e gostava do que fazia”, complementa.
Segundo Dulce, todos sempre reconheceram a competência do filho. “Quando ele ficou doente, os alunos e professores com quem ele trabalhou fizeram fila para visitá-lo. Até mesmo funcionários da limpeza. Ele era muito querido por todos”.
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Preocupação com a família era constante
O espírito trabalhador de Celso Turtelli foi herdado do pai, um dos pioneiros de Bauru. Ele era filho de Armando Turtelli, que entre outros empreendimentos, fundou na cidade uma auto-escola, uma gravadora de discos e a primeira imobiliária bauruense.
“O Armando era muito trabalhador. E o Celso pegou isso dele. Nossa família sempre foi muito sólida. Eu acho que isso fez com que os filhos fossem bem sucedidos e, principalmente, dessem valor à família”, expõe.
O médico morreu no último dia 16 acometido de um câncer. Preocupado com a mãe, o filho nunca contou sobre a doença para não preocupá-la.
“Ele pensava muito na família. Eu só fiquei sabendo o que ele tinha na quarta-feira, dois dias antes dele falecer. Ele não queria contar para não nos preocupar”.
Por pedido da esposa, Carla Maria Turtelli, o corpo do médico foi enterrado na cidade de Urânia, próximo de São José de Rio Preto. Além da mãe e esposa, Celso Turtelli deixa os filhos Carlo, Roberta, Celso Filho e Luiza e os irmãos Armando, Dulce Tereza, Fátima e Roberto (já falecido).