Uma pesquisa realizada pelo Sindicado das Entidades Mantenedoras de estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), com base em números de 2008, mostra que 80% das instituições no Brasil tem até 2 mil alunos. Consideradas de pequeno porte, elas representam 82,48% do total de instituições privadas do país e concentram 894 mil matriculados.
Na região de Bauru, Piratininga vai ganhar uma dessas unidades a partir do 2o semestre do próximo ano. Agudos tem duas e está em negociação com uma terceira. Lins já possui algumas que cooperam com o desenvolvimento da cidade, assim, como Pederneiras e Lençóis Paulista.
Responsável pela formação de profissionais em regiões específicas, as escolas de ensino superior de pequeno porte sofrem com as regras impostas pelo Ministério da Educação e Cultura, que dá um tratamento igualitário entre elas e as grandes. Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o levantamento contraria previsões feitas por consultores da área em meados de 2002. “Eles pregavam que elas iam desaparecer no prazo de cinco anos. A previsão não se concretizou, não aconteceu.”
As pequenas continuam tendo uma força muito grande nas cidades de pequeno porte, ressalta Capelato. “ Já ouvi de grandes grupos de ensino superior privado que municípios com menos de 150 mil habitantes está totalmente fora do projeto de expansão deles, então tem espaço para os pequenos ocuparem.”
Na opinião do executivo, são as faculdades de pequeno porte que chegam lá. “Os grandes grupos perderam o interesse por elas e esse papel de levar o ensino superior aos pequenos municípios coube a elas, porque as universidades públicas não chegam mesmo.”
O caso de Piratininga é para o diretor um exemplo disso: “Dificilmente um grande grupo vai chegar lá. Eles chegam com prédios de grandes estruturas, mais caras, que não compensa atender uma população estimada em um número próximo de 12 mil”. Para ele, as mudanças no cenário são visíveis. “O ensino superior cresceu com a abertura de várias instituições privadas. Nos últimos 10 anos, elas mais que triplicaram. No começo dos anos 2000, a demanda perdeu ritmo de crescimento. Mesmo assim as instituições foram abrindo novas unidades e a concorrência se tornou acirrada com o número de ofertas de vagas muito maior do que a demanda.”
Naquele momento, o setor começou a passar por um movimento de diminuição de oferta. “As instituições tiveram que decidir entre sobreviver e ser eficiente ou morrer. A terceira opção era ser vendida para um grande grupo, que à época conseguiam otimizar ganhando na escala. Essas mantinham uma estrutura com várias unidades locais.” A tendência aponta que as pequenas podem formar redes, semelhantes aos consórcios americanos, onde a fusão e a compra ficam fora do contexto, mas os interesses que não são diferenciais competitivos passam a ser discutidos juntos.
“As Metodistas eram várias instituições separadas no Brasil. Resolveram se juntar e formaram uma rede com mais de 70 mil alunos. Esse número é forte para negociar com bancos. Eles conseguem otimizar uma série de recursos, por exemplo, na hora das compras. Uma coisa é negociar com um fornecedor tendo mil alunos e outra com 70 mil e com unidades no país todo. Essa é uma tendência que deve vir nos próximos anos. Os pequenos podem formar consórcios que permitam compartilhar atividades que não sejam estratégicas para o negócio.”