A Defensoria Pública do Estado em Bauru ingressou com ação civil pública para buscar o fim do recesso escolar para as Escolas de Educação Infantil (EMEI’s) e Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEII’s – antigas creches). A medida é louvável e busca atender às mães que trabalham fora e não têm com quem deixar seus filhos enquanto trabalham. É oportuno lembrar que esse problema se estende para aquelas crianças que estão fora da faixa etária das atendidas por essas escolas em questão (a partir dos 5 anos), que também estão sujeitas a ficar desprotegidas em casa ou na rua.
A infância, como um todo, merece atenção especial por parte da família e de nossas autoridades. Contudo, aproveitando a intervenção muito oportuna da psicóloga educacional Ângela Ferreira Domingues, é preciso que, mais uma vez, seja feita uma análise e uma reflexão acerca do real objetivo da escola e do papel que ela desempenha no desenvolvimento dos pequenos. O período de recesso não se limita a uma pausa nas atividades da escola.
Nesse espaço de tempo, além de um descanso dos estudos e do ambiente escolar que é dado à criança, é feita a reciclagem de professores e funcionários, a manutenção, reparos e limpeza dos prédios . Concordo que as antigas creches, hoje EMEII’s, devam, sim, atender em julho, com atividades recreativas, as crianças que não têm com quem ficar em casa, mas isso não consiste apenas em fazer com que a escola continue com suas portas abertas.
O que deve ser pleiteado pelos vereadores e pela defensoria pública é que sejam dadas condições para que essas instituições possam responder mais plenamente às necessidades da população. Assim, para a continuidade do trabalho no período de recesso, deveria ser possibilitada a contratação de estagiários, professores em caráter temporário, a aquisição de material para as atividades recreativas e coisas assim.
O que não se pode é esquecer a especificidade da Escola, da Educação e dos educadores, que não devem e não podem ser tratados como máquinas. Escolas não podem ser equiparadas, por exemplo, a uma rede de supermercados, que se propõe a não fechar um dia sequer.
(Rosângela Pereira)