Se quisesse, a libanesa Pauline Tobias, 65 anos, poderia passar seus dias em casa, na companhia da família ou até mesmo apreciando a beleza da cidade, muitas vezes abafada e escondida pela correria do dia a dia. O motivo? Pauline é casada com Ibrahim Tobias, também libanês e proprietário de três tradicionais lojas no segmento de confecção.
Porém, a possibilidade de viver uma vida de donzela entediava Pauline, que após 40 anos de casada preferiu trabalhar. Ela veio da região de Akkar, no Líbano, para Bauru quando tinha 16 anos. Enquanto o marido cuidava dos negócios da família, Pauline dedicou parte da vida a cuidar dos filhos.
“Depois que meus filhos se casaram, percebi que não tinha mais porque ficar em casa. Insisti com meu marido para abrirmos uma loja para que eu cuidasse. Ele me alertou sobre a responsabilidade que eu teria de assumir, mas eu estava decidida, sempre gostei do comércio. É uma paixão que está no sangue”, justifica Pauline, que comanda a loja de artigos femininos há 9 anos.
Em Bauru, libaneses à frente de comércios não são coisa rara. Famílias tradicionais com sobrenomes Tobias, Farha, Massaad, entre outros, dominam uma boa fatia do segmento. A explicação para tal predisposição está calcada em fatores históricos.
Os libaneses vieram para Bauru de livre e espontânea vontade, sem nenhum vínculo com fazendas, como acontecia com os outros imigrantes. Com talento nato para o comércio, herdado dos fenícios, os libaneses descobriram que podiam sobreviver das vendas, suprindo as necessidades dos outros povos.
“Penso que é uma questão de vocação. O segredo do sucesso é gostar do que se faz e começar sempre debaixo, construindo alicerces firmes. Quem começa do alto quase sempre leva um tombo muito maior”, ensina Pauline.