09 de julho de 2026
Nacional

Rio: PMs que liberaram carro se entregam

Por Folhapress | Rio de Janeiro
| Tempo de leitura: 4 min

Os PMs envolvidos na liberação do carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, 18 anos, filho da atriz Cissa Guimarães, se entregaram neste fim de semana. A prisão administrativa do sargento Marcelo Leal de Souza Martins, que se apresentou ontem, e do cabo Marcelo Bigon (detido desde sábado) havia sido determinada pelo comandante da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte.

Ele solicitara também a prisão preventiva, mas o Tribunal de Justiça do Rio negou o pedido no sábado. Uma nova solicitação será feita hoje.

Segundo Rafael Bussamra, que dirigia o veículo, os policiais cobraram R$ 10 mil para liberá-lo, logo após o atropelamento. O pai de Bussamra, Roberto Bussamra, confessou ter pago R$ 1 mil. Os PMs responderão inquérito por corrupção passiva, e Bussamra, por corrupção ativa.

O governador do Rio, Sergio Cabral, que classificou os policiais como “bandidos ao quadrado”, informou que a Procuradoria do Estado vai recorrer da decisão da Justiça. “O que esses policiais fizeram é de um desprezo, de uma marginalidade que envergonha.”

Ao justificar sua decisão, o juiz Alberto Fraga alegou que “a manutenção dos policiais no seio social não acarreta qualquer ameaça seja à ordem pública, seja à aplicação da lei penal ou à oitava das testemunhas.” Acrescentou que não poderia se deixar guiar pelo “clamor popular ou pela pressão dos meios de comunicação”.

O advogado Spencer Levy, que defende Rafael Bussamra, nega que seu cliente tenha fugido sem prestar socorro à vítima e afirma que a família foi ameaçada pelos policiais.

Segundo Levy, os dois PMs que chegaram ao local do acidente encontraram Bussamra parado à espera de socorro, mas determinaram que ele saísse dali e exigiram dinheiro para livrar o estudante da responsabilidade pelo crime. Quando Rafael Bussamra cogitou desistir da negociação, logo após o atropelamento, teria sido ameaçado pelos policiais, segundo Spencer Levy.

“Olha só, se vocês forem para a delegacia, eu vou ferrar com vocês. Eu já tenho o telefone e o endereço de todo mundo. Não vai ninguém para a delegacia porra nenhuma. Quero R$ 10 mil, pego amanhã, vamos marcar não sei onde”, teria dito o sargento Martins, de acordo com Levy. A reportagem não conseguiu localizar nenhum defensor dos PMs.

Levy disse ainda que a família está com medo e ainda não decidiu o que fará em definitivo, mas já está fora do Rio e pensa mudar definitivamente de endereço e telefone.

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O sargento da Polícia Militar Marcelo Leal de Souza Martins, que liberou o jovem que atropelou Rafael Mascarenhas na zona sul do Rio na terça-feira passada, se apresentou na manhã de ontem ao 23º Batalhão da PM (Leblon).

Ele e o cabo Marcelo Bigon são acusados de cobrar propina de Roberto Bussamra, pai de Rafael Bussamra, motorista que confessou ter atropelado Mascarenhas -que é filho da atriz Cissa Guimarães.

Ambos tiveram a prisão administrativa decretada na última sexta-feira pelo comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte. O cabo também está detido no mesmo batalhão, ele se apresentou no sábado.

A assessoria da PM informou que o comando da Corregedoria Interna da corporação vai se reunir na segunda-feira com a Justiça Militar e o Ministério Público para solicitar a prisão preventiva dos dois militares.

A prisão administrativa tem prazo de 72 horas a partir da apresentação do policial à unidade. Em nota, a polícia também informou que, mesmo que a prisão preventiva não seja decretada hoje, os dois militares não retornarão para o serviço de rua.

Após a prisão de 72 horas e a apresentação da defesa, o comandate-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, “deverá optar pela prisão de 30 dias a fim de garantir o andamento do inquérito policial militar”, informou a polícia.

Em depoimento na 15.ª DP (Gávea) na sexta-feira, o empresário Roberto Bussamra disse que os policiais que liberaram o Siena de seu filho pediram R$ 10 mil de propina e combinaram de receber o dinheiro no dia seguinte, na praça Mauá, centro do Rio. O empresário acompanhou o filho no momento do pagamento, já pela manhã de quarta-feira, mas recebeu uma ligação da mulher informando que a vítima era filho da atriz Cissa Guimarães e estava morto.

Segundo o depoimento, ele passou mal com a notícia e os policiais deixaram o local com R$ 1.000.

Na madrugada de ontem, o juiz de plantão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Alberto Fraga, negou o pedido de prisão preventiva dos dois policiais militares feito pela Corregedoria da Polícia Militar na sexta-feira. Ele alegou que “os documentos revelam indícios suficientes de autoria”, mas não “são bastante para embasar a custódia cautelar”.

Conserto

Na quinta-feira, o funileiro Paulo Sérgio Gentile Muglia, 48 anos, afirmou que o empresário levou o carro até sua oficina e solicitou que o conserto do veículo fosse feito “o mais rápido possível”.

O funileiro disse também que a embreagem do veículo estava alterada, o que poderia permitir um arranque mais potente do motor. A polícia investiga se Bussamra estava tirando um “pega” no túnel no momento do atropelamento - ele nega.

Morte

Rafael Mascarenhas chegou a ser levado com vida para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao final do procedimento médico. A Secretaria Municipal de Saúde informou que a causa da morte de Rafael foi hemorragia interna e politraumatismo. Seu corpo foi cremado na quinta-feira passada.