09 de julho de 2026
Geral

Morte por queda quadruplica em 8 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A aposentada Genuefa Oldani já perdeu as contas de quantas vezes caiu ao perder o equilíbrio. Aos 77 anos, ela relata que sofreu a queda mais grave aos 60 anos, quando torceu o pé em uma calçada esburacada e fraturou a perna. Depois disso, por sorte, seguiram-se apenas lesões leves.

Genuefa escapa de uma estatística preocupante, divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde. Segundo levantamento do órgão, a mortalidade de idosos com 60 anos ou mais em decorrência de quedas aumentou quatro vezes no período de oito anos.

O índice passou de 7,6 óbitos por 100 mil idosos em 2.000 para 28,4 por 100 mil em 2.008, o último dado disponível. E como Bauru segue esta tendência, segundo avaliação do Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai), em números absolutos a estimativa é que 27 pessoas com mais de 60 anos tenham morrido na cidade, em 2.000, por consequência de quedas, ante as 102 vítimas fatais de 2.008.

O aumento da expectativa de vida é apontado pela fisioterapeuta Sarah Boaventura de Araújo e Silva, do Promai, como uma das causas prováveis do resultado. Com o envelhecimento da população em todo o Brasil, muitos das pessoas que já estavam na faixa da terceira idade no início da década ficaram ainda mais idosos. “E quanto mais idosa é a pessoa, mais suscetível ela é a ter complicações após uma queda. Por isso há uma necessidade de aprimoramento na prevenção contra este tipo de acidente”, afirma a fisioterapeuta.

Ela explica, no entanto, que as mortes não são resultado direto das quedas, mas sim das internações, que diminuem ainda mais a já frágil condição de saúde do idoso. “Ele não tem capacidade física para se reabilitar rapidamente, então fica suscetível a infecções hospitalares, a contrair uma pneumonia ou abrir espaço para a complicação de alguma doença que ele já tinha, mas que estava controlada até então”, detalha.

Entre as causas de quedas mais recorrentes, Sarah destaca duas principais categorias. A mais importante delas é a condição física e motora do idoso, que pode ser prejudicada por efeitos colaterais em razão do uso de medicamentos, como tonturas, além de problemas oftalmológicos, auditivos, perda de força muscular e de resistência óssea.

Das causas externas, as mais comuns são os obstáculos, que podem estar dentro de casa, como móveis, tapetes e iluminação precária, ou fora dela, como raízes de árvores, degraus ou calçadas esburacadas. “Em casa, esse controle é mais fácil de ser feito, basta orientação para evitar as armadilhas. Mas fora do ambiente doméstico, os idosos estão muito vulneráveis, porque depende de políticas públicas bastante específicas, como a questão da acessibilidade, que ainda provoca bastante dificuldade para os idosos”, frisa Sarah.

Prevenção

Foi em uma calçada mal conservada que Genuefa sofreu sua mais grave queda, há 17 anos, quando ainda trabalhava como vendedora de roupas. Mas os acidentes se tornaram mais frequentes nos últimos cinco, desde quando ela perdeu o paladar e, por consequência, a vontade de comer.

“Emagreci 14 quilos e perdi força, caio por qualquer coisa, em casa, no mercado. Tenho fraqueza e tontura, mas estou me tratando e vejo melhoras. Preciso me cuidar porque já tenho problema na coluna, de tanto cair”, conta ela, que é paciente do Promai.

Hoje, de tanto medo, Genuefa já não sai mais sozinha de casa. O aposentado Romeu Nunes, 69 anos, pelo contrário, se desloca com tranquilidade sempre que necessário. Embora tenha um desgaste na cartilagem que protege os ossos do joelho, ele também faz tratamento preventivo no Promai e, satisfeito, conta que ainda não teve a má sorte de sofrer uma queda perigosa. “Na época em que eu trabalhava, andava 10 quilômetros por dia. Eu ainda não tive nenhum problema com quedas e espero que não tenha por muito tempo ainda”, frisa.

____________________

Ação de combate

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2.050 o Brasil terá 65 milhões de idosos. Em face desta expectativa, o órgão instituiu, em 2.007, o Comitê para Osteoporose e Prevenção de Quedas em Idosos. Com a iniciativa, o ministério realiza reuniões periódicas com representantes municipais e estaduais para determinar medidas conjuntas para reduzir os índices de internação e mortalidade de idosos, decorrentes de quedas.

“Desde então, ao contrário do que a gente vinha verificando ao longo da última década, o índice de internações por fratura de colo do fêmur, que é maior causa de internações de idosos por queda, caiu 2% no Brasil, o que é considerado um ótimo resultado”, pontua a fisioterapeuta Sarah Boaventura de Araújo e Silva, do Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai). Segundo ela, com a implantação do comitê, a tendência é que os óbitos por conta deste tipo de acidente caiam ainda mais nos próximos anos.