08 de julho de 2026
Bairros

Ex-trabalhadores da ECCB esperam verbas

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

O motorista Carlos Alberto Orestes tem 42 anos de idade. Destes, 11 anos foram dedicados à Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), que operou na cidade até maio de 2002. “Era um emprego excelente. Quando você falava que trabalhava lá, o comércio te dava crédito. Era um sinal de respeito”, relembra, orgulhoso. Porém, o emprego, o orgulho e a solidez da empresa deram lugar a um longo imbróglio que já dura oito anos: ex-funcionários não receberam seus direitos trabalhistas após o fechamento da empresa.

A ECCB fez parte da rotina bauruense por 62 anos. Os ônibus conhecidos popularmente como “amarelinhos” eram a principal forma de locomoção daqueles que utilizavam o transporte público da cidade. Porém, em 2002, imersa em dívidas e recém-saída de uma concordata, a empresa encerrou suas atividades.

O motorista Carlos Alberto Orestes trabalhava no local na época. A última avaliação, feita em 2005, revelava que ele tinha para receber cerca de R$ 30 mil em salários, férias e fundo de garantia atrasados. “É um dinheiro que iria arrumar minha vida. Eu não passo necessidades, porém, é uma quantia que me ajudaria a sanar algumas dívidas”, conta.

Entre outras utilidades, o dinheiro serviria para pagar os estudos de uma das filhas, que precisou trancar a faculdade devido às despesas.

Carlos revela que está quase sem esperanças de reaver o dinheiro. “Esperança a gente sempre tem. Mas, hoje em dia, me sinto jogando na loteria. Não tenho muitas perspectivas de receber. Quem sabe um dia meus filhos ou até netos recebam”, espera.

Apesar da situação, Carlos Alberto se considera um privilegiado: ele está entre os que foram trabalhar na Grande Bauru, empresa sucessora da ECCB. Na ocasião, aproximadamente 700 funcionários trabalhavam na ECCB e, destes, cerca de 500 foram para a nova empresa.

O motorista recorda o caso de um amigo que exercia o cargo de auxiliar de mecânico na empresa e encontrou sérias dificuldades. “Ele e a família passaram muitas necessidades. Tiveram que pedir ajuda para os vizinhos.”

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Sem previsão

De acordo com o atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Bauru e Região (Sindtran), José Rodrigues, esse tipo de processo é lento. “Temos outros casos aqui que demoraram até 25 anos para a pessoa receber. Essa demora é normal. Nossa justiça é demorada”.

A lentidão em questão é no leilão dos bens da ECCB. Segundo Rodrigues, não há alguém que queira arrematar esses bens, que serão utilizados para pagar os direitos trabalhistas pendentes. Os bens em questão são vários terrenos e uma garagem, e estão avaliados em R$ 5 milhões.

Entretanto, mesmo afirmando que não há previsão para o fim do imbróglio, ele afirma que os ex-funcionários da empresa irão receber seus direitos.