08 de julho de 2026
Geral

Cadela espancada expõe descaso à vida

Por Alexandre Padilha | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Uma atitude de descaso e violência cometida contra um filhote de cachorro da raça bull terrier nesta semana, em Bauru, causou indignação. Depois de ser espancada quase até a morte, a cadela de apenas 11 meses de idade foi encontrada em uma rua da Vila Santista agonizando, ensanguentada, com ferimentos gravíssimos. A reação à agressão resultou em uma rede de ajuda pela Internet para salvá-la.

A mobilização começou na manhã do dia 26 de julho, quando o vendedor Cristiano Marinho trafegava com sua motocicleta por uma rua da Vila Santista e se deparou com uma cadela muito machucada. Além de seu espanto pelo estado do animal, ele ficou chocado com a reação das pessoas que passavam pelo local. A maioria delas ignorava a situação por se tratar “apenas de um animal”.

Mas ele decidiu mudar o final trágico que se desenhava para aquela história e parou para ajudar a pequena cadela. Ao perceber a intenção do vendedor, a bull terrier caminhou em sua direção, quase como um pedido de socorro. Marinho a transportou até a clínica de banho e tosa de um casal de amigos. Lá, a sobrevivente foi recepcionada por Leandra Marquezini e Carlos Rossi, que providenciaram sua internação em uma clínica veterinária.

Ao ser atendida pela médica veterinária Mariana Fernandes Jorge, a cadela, que foi batizada de “Vida” por Leandra e Carlos, precisou ser colocada imediatamente em coma induzido, pois apresentava um quadro de edemas cerebral, ocular e abdominal em decorrência das pancadas que sofreu.

Indignado com o diagnóstico, Cristiano voltou à Vila Santista e conversou com moradores, que relataram que a cadela teria sido espancada por um homem que passeava no local com seu cachorro. O fato de ela ter tentado atacar o animal teria sido o motivo para a brutalidade.

De acordo com a nova “mãe” da pequena Vida, mesmo bastante debilitada pelos ferimentos que sofreu, ela saiu do coma na última quarta-feira, voltou a comer normalmente e recebeu alta da clínica veterinária no início da tarde de ontem.

“Como trabalho com animais, eu a trouxe para casa assim que teve alta. Mas estamos fazendo soroterapia todos os dias, damos medicamento e fazemos os curativos necessários para a melhora do estado da Vida. Senão, ela ficaria internada por mais uns 10 dias”, explica Leandra.

Ela destacou que a cadelinha não corre mais risco de morte, mas ainda inspira alguns cuidados especiais. Vida possui uma grave infecção bacteriana na pele, provavelmente devido ao abandono, afirma Leandra. “Pela agressão que ela sofreu, está com glaucoma em uma das vistas e provavelmente vai perder este olho. Ela caminha muito mal, está zonza, não enxerga direito, mas demonstra força para superar”, garante Leandra.

• Serviço

Interessados em ajudar no tratamento de Vida ou que possuam informações sobre o que ocorreu com a cadela podem entrar em contato com a ONG Naturae Vitae pelo e-mail contato@naturaevitae .org ou diretamente com Fátima pelo telefone (14) 8122-7378; com Leandra e Carlos pelos telefones (14) 3204-1338 ou 3204-1338. O telefone do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para denúncias é (14) 3281-2646.

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Estadia confirmada

O novo “pai” de Vida, Carlos Rossi, garantiu que a cadelinha será muito bem recebida em sua casa, mas pondera sobre uma adoção definitiva em decorrência da raça bull terrier apresentar alguns problemas de socialização, já que Carlos e a esposa Leandra têm 10 cachorros e 16 gatos. “Sempre trago os animais para ficar definitivamente em casa. Em um primeiro momento a Vida é minha, mas caso não se adapte aos outros bichos, terei que encontrar um novo lar para ela”, preocupa-se.

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ONG oferece ajuda, mas espera ter colaborações

Uma das organizações não-governamentais (ONGs) mais conhecidas e atuantes em Bauru quando o assunto é o bem-estar de animais, a Natuae Vitae ofereceu suporte aos novos donos da cadela Vida no que se diz respeito aos gastos financeiros para sua reabilitação.

Além disso, a presidente da entidade, Fátima Schroeder, destacou que espera receber informações sobre a pessoa que espancou a bull terrier para poder elaborar um boletim de ocorrência (BO), a fim de não deixar o caso passar impunemente.

Para colaborar com a reabilitação do filhote, a ONG Naturae Vitae vai oferecer um suporte à família adotiva, mas espera que pessoas interessadas também colaborem.

Por outro lado, a presidente da entidade também pede a ajuda de pessoas que tenham informações sobre este caso de maus-tratos ou qualquer outro que envolva animais.

“Este tipo de atitude é crime e não pode ficar impune. A partir da divulgação deste caso, esperamos que as pessoas entrem em contato com a ONG para nos informar e, assim, conseguirmos tomar uma atitude. Além disso, também buscamos auxílio para os custos do tratamento dela, que serão intensos e duradouros”, destaca Fátima.

Segundo ela, se a apuração resultar na identificação do dono da cadela e dos motivos pelos quais ela estava na rua, um BO será elaborado para a devida responsabilização dos culpados.