09 de julho de 2026
Internacional

Unasul discute crise Colômbia -Venezuela

Folhapress
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Quito -Os chanceleres sul-americanos sentaram-se ontem à mesa junto com Colômbia e Venezuela para tentar resolver sua crise diplomática. Bogotá, no entanto, olhava com ceticismo a reunião e os especialistas duvidavam que as asperezas seriam limadas.

A Colômbia insistirá na cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), convocada para tratar o conflito entre os dois países andinos, que se investiguem as denúncias feitas ante a Organização dos Estados Americanos (OEA) de que a Venezuela dá abrigo a 1.500 guerrilheiros de esquerda.

Essas acusações feitas na semana passada despertaram a ira do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que rompeu relações diplomáticas com o país vizinho, colocando em alerta suas Forças Armadas, na pior crise entre os países em duas décadas.

Antes da reunião extraordinária da Unasul em Quito, no Equador, os chanceleres da Colômbia, Jaime Bermúdez, e da Venezuela, Nicolás Maduro, se reuniram em separado com o colega equatoriano para colocar suas posições antes do debate.

Mais tarde, o chanceler da Venezuela, Maduro, disse que o Estado colombiano é responsável pela guerra interna que seu país enfrenta há seis décadas e acusou-o de ser uma ameaça a seus vizinhos.

Apesar dos esforços dos chanceleres sul-americanos, a Colômbia não acredita que a reunião dê muitos frutos nem que seu pedido de corroborar suas denúncias encontre eco no organismo regional, porque vários de seus integrantes simpatizam com o socialista Chávez. “Realmente, não tenho grandes expectativas”, disse o colombiano Bermúdez à rádio Caracol, já que vários chanceleres da região mandaram funcionários do segundo escalão e que até mesmo o secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, não participa da reunião. Os analistas também não estão muito otimistas e a maioria crê que os vizinhos andinos sairão de lá com as mãos vazias.

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Lula não responderá críticas de Uribe

Bogotá - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai responder às criticas feitas ontem pelo seu colega colombiano, Álvaro Uribe, que, em nota, o acusou de minimizar a crise envolvendo Colômbia e Venezuela ao dizer que via entre os dois países um “conflito verbal”.

O texto de Uribe se refere às declarações de ontem do presidente Lula, que afirmou que pretende se reunir com Chávez e o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que toma posse dia 7, em prol de uma conciliação. Lula disse que conflito só acaba com posse de Santos na Colômbia.

O comunicado do colombiano critica Lula ainda por ter ignorado a ameaça que representa a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano.

O porta-voz da Presidência brasileira, Marcelo Baumbach, disse que “Lula tomou conhecimento das declarações e não considera apropriado que se responda esse comunicado”.

“O presidente já declarou que lamenta a situação que se criou entre a Colômbia e a Venezuela e acredita que a estabilidade das relações entre estes dois países amigos e tão importantes na nossa região, é fundamental para a tranquilidade na região e para o avanço da integração regional”, completou ele.